Vamos ver, juntos com o leitor, se a gente consegue entender. Na semana passada o Conselho Universitário da UEL planejava dar um auxílio de R$ 300,00/mês para um grupo de estudantes carentes. Na terça-feira, o Ministério Público (MP) interveio antes que a intenção se concretizasse.
A justificativa do MP para abortar a ideia é a seguinte - colocada em outros termos: bolsa é assunto de política social do governo. Ainda que se discorde, em parte, convenhamos que, no país do paternalismo é prudente evitar essa contaminação cujo vírus prospera no âmbito do governo federal.
Até aqui, o impasse criado pela suposta tentativa de doação é problema da UEL e do MP.
A questão é que a ajuda de custo, esmola - ou seja lá qual for o termo - seria para estancar rixas que a UEL enfrenta com um grupo de alunos resistente à desocupação da antiga Casa do Estudante.
É este o ponto que se pretende debater. Sem entrar no mérito da intenção do Conselho Universitário, o problema de Londrina expõe uma realidade muito triste da comunidade universitária brasileira. Em São Paulo já brigaram por vale-transporte. Em outras capitais movimentos incipientes tiveram motivos igualmente modestos, modestíssimos, até por vale-refeição.
Que decadência! Que pobreza! Que vazio intelectual! Temos líderes estudantis não alienados? Cadê?
As bandeiras defendidas por estudantes menos de 10 anos atrás já foram mais meritórias, aguerridas.
Alguém na Redação desta FOLHA observa que o estudante de hoje sabe mais sobre os sites de sexo do que aquilo que se passa na política. Não se preocupa com a qualidade do ensino, nem com o paternalismo reinante. E até procura abrigo nesse paternalismo - que rouba a perspectiva e a dignidade do brasileiro.
O universitário, que poderia assumir a dianteira das lutas por melhor educação e combate à corrupção, capitulou e afundou seu ideário no conformismo e no alinhamento ideológico. Líderes foram facilmente cooptados. Somos apenas o país das cotas-étnicas.

mockup