São Paulo A pouco mais de 40 dias da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos governadores eleitos, o PT só tem negociações adiantadas para participar de duas das 10 novas administrações estaduais comandadas por aliados de outras legendas. A direção do partido no Paraná já deixou claro que aceita assumir secretarias espera pelo menos três no governo Roberto Requião (PMDB). O PT de Roraima também deve formalizar acordo com Flamarion Portela (PSL), que apoiou ainda no primeiro turno. O resultado, até agora, contraria o desejo de Lula e a orientação da direção nacional, que gostaria de reproduzir nos Estados a coalizão nacional.
Na avaliação do comando partidário, as negociações podem ser bem-sucedidas em Santa Catarina, que elegeu o peemedebista Luiz Henrique da Silveira, e três Estados governados pelo PSB: Alagoas (Ronaldo Lessa), Espírito Santo (Paulo Hartung) e Rio Grande do Norte (Vilma Faria). Em dois, Amazonas (Eduardo Braga do PPS) e Mato Grosso (Blairo Maggi do PPS), as negociações estão em andamento, mas a tendência é de que não prosperem.
No Rio de Janeiro (Rosinha Matheus, do PSB) e no Amapá (Valdez Góes, do PDT), não interessa nem a petistas nem a governadores eleitos acertar uma parceria. Candidatos do PT foram derrotados nesses Estados e as relações com Rosinha e Góes são bastante difíceis.
Fora da lista de aliados, há ainda um movimento capitaneado pela prefeita de Campina Grande, Cozete Barbosa (PT), para que o partido apóie e participe do governo do tucano Cássio Cunha Lima na Paraíba. Lá, assim como na maioria dos Estados citados, o PT enfrenta divergências internas para fechar acordos. Os convites, em geral, não faltam. Luiz Henrique, por exemplo, não formalizou o seu. Espera pelo sinal positivo do PT local.
O apelo de Lula para que seu partido participe dos governos aliados tem razões estratégicas. E não foi à toa que o diretório nacional criou uma comissão para acompanhar e auxiliar as negociações, chefiada pelo secretário de Organização, Sílvio Pereira.
Além de fortalecer sua base no Congresso e buscar adesões dos Estados para as reformas, o PT tem objetivos mais amplos. ''O governo Lula será de união nacional, com convites já feitos a PSB, PPS, PDT e PTB. Também nos interessa ter o PMDB como aliado, e parte já nos apoiou na eleição'', diz Pereira. ''Queremos formar coalizões nos Estados com esses partidos, não por cargos simplesmente. Temos um projeto nacional onde os Estados têm papel importantíssimo e queremos incentivar o desenvolvimento regional.''

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