Aliança Global contra a Fome e a Pobreza
Para consolidar protagonismo no tema, Brasil terá desafios internos e externos que demandam atenção
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de novembro de 2024
Para consolidar protagonismo no tema, Brasil terá desafios internos e externos que demandam atenção
Folha de Londrina 
O lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza é apontado como a maior contribuição do Brasil ao G20. A iniciativa se propõe a enfrentar a insegurança alimentar e as desigualdades sociais que assolam milhões de pessoas no mundo.
Atualmente, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), 735 milhões vivem em situação de fome no mundo, evidenciando a gravidade de um problema que transcende fronteiras e exige cooperação internacional. No Brasil, a insegurança alimentar ainda afeta parcela considerável da população, o que reforça a necessidade de ações coordenadas para combater esse cenário.
A Aliança, que reúne governos, organizações internacionais e bancos multilaterais, apresenta um modelo inovador ao criar um repositório global de políticas públicas promissoras, oferecendo aos países-membros ferramentas para adaptar essas iniciativas às suas realidades locais.
O sucesso do Bolsa Família, por exemplo, mostra o potencial de programas de transferência de renda em reduzir a pobreza extrema. Mas é preciso ir além. A expansão de merendas escolares, os investimentos em saúde materna e de primeira infância e as iniciativas de inclusão socioeconômica, com ênfase em mulheres, são estratégias essenciais para atacar as causas estruturais da fome, apontam os especialistas.
A articulação entre os diversos membros da Aliança será crucial para garantir o financiamento e a implementação das ações. O Brasil, ao destinar R$ 50 milhões para a governança do projeto, dá um primeiro passo importante, mas será necessário mobilizar outros países e instituições para assegurar o suporte financeiro contínuo.
O protagonismo do Brasil nesta agenda reflete seu compromisso histórico com a redução das desigualdades, mas também impõe desafios. Em casa, a responsabilidade fiscal é uma questão que ainda preocupa e que pode afetar a capacidade do país de manter o protagonismo nesta luta. Externamente, um mundo marcado por graves conflitos exige habilidade diplomática para dialogar com nações de diferentes espectros.
Ao lado da questão climática, a luta contra a fome é um das prioridades da política externa brasileira. Os dois temas demandarão planejamento, articulação e vontade política do governo brasileiro e serão uma prova de fogo para as pretensões do país em aumentar sua relevância em escala global.
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