‘Vendas domésticas da produção rural estão oferecendo melhor remuneração que a exportação’’ – afirma a este Jornal o presidente da Cooperativa C. Vale, Valentim Squisatti. ‘‘Não estamos vendo problemas com a crise, porque a exportação (de carne de frango) teve aumento significativo de valores’’ – declara Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias Avícolas do Paraná. ‘‘Do total dos nossos negócios, 20% são de exportação, mas o índice pode chegar a 50% se forem consideradas transações indiretas’’ – diz Eliseu de Paula, presidente da Cooperativa Corol. ‘‘Os preços das comodities caíram mas houve compensação com a alta do dólar’’ – demonstra o superintendente-adjunto da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, Nelson Mota.
  Muitos desses negócios já estavam contratados, mas mesmo assim as palavras desses dirigentes são animadoras, decorridas quatro semanas da eclosão da turbulência nos mercados financeiros, gerada pela quebra do banco norte-americano Lehman Brothers.
  Tapar os olhos e os ouvidos ante a situação global é imprudência, porque os juros subiram e houve corte de crédito também para a atividade produtiva, em todo o mundo, diminuindo a intensidade do giro de dinheiro. Por isso os compradores externos ainda estão reticentes ou com dificuldade de realizar negócios.
No caso do Brasil, a recomendação é que o produtor agrícola e de carnes avalie seus recursos, não assuma dívidas fora de controle, corte gastos de risco e reduza custos o mais possível – mas sem comprometer a qualidade do plantio para não perder volume de produtividade. O alimento é um bem de consumo indispensável à mesa da população mundial, por isso o Brasil – grande produtor e exportador – está em condição mais privilegiada que outros países. Mas toda a maestria é exigida para bem administrar a situação e tirar dela o melhor resultado. E sem pensar em sentimento de culpa por isso, porque a crise é financeira e foi gerada pela ganância e pela imprudência do próprio sistema, e isso ocorreu na nação mais capitalista e especuladora do planeta.
  Acredita-se que a economia brasileira continuará se desenvolvendo, porque há reserva cambial e garantia de energia, e sem problemas de financiamento no balanço das transações correntes. Numa hora dessas faz parte desse jogo a desaceleração da economia, mas agora ela andará engatada em marcha mais segura e com o condutor mais atento. O Brasil ainda disponibiliza de seu mercado interno de quase 200 milhões de consumidores, cujo nível de consumo está ainda muito aquém do desejado.

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