Alguns bares executivos são fachada para o crime
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sábado, 05 de julho de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O delegado geral da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira, não pretende fazer uma operação fiscalizatória em bares executivos e saunas da capital paranaense. Adauto justificou que somente existe crime quando alguém é beneficiado financeiramente com a venda do sexo. ''Se a prostituta quiser ir num bar, ninguém pode impedir. Se caracteriza crime quando o bar cobra dela para que ela possa trabalhar'', informou Oliveira.
As casas de prostituição funcionam sempre com uma fachada de bar executivo. Elas são caracterizadas geralmente pela presença de quartos e mulheres que circulam livremente pelas mesas. Mas segundo o promotor Pedro Carvalho Santos Assinger, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), mesmo que não contenha quartos, o simples fato de ter prostitutas circulando no local já caracteriza crime. ''Independente se tem ou não quartos é casa de prostituição. Mesmo que o ato ocorra em outro local'', afirmou ele. Assinger disse que a manutenção destas casas é criminosa e as polícias Civil e Militar têm o dever de reprimir o funcionamento delas. ''A atividade de fiscalização e combate deste tipo de delito é das polícias Civil e Militar. Mesmo sem denúncia tem que haver fiscalização'', complementou.
''Ninguém faz nada porque são pessoas da alta roda da sociedade'', esbravejou o delegado Luiz Antônio Zavattaro, titular da Divisão de Narcóticos (Dinarc). Para ele, estas casas funcionam como uma ''lavanderia'' de dinheiro do crime organizado e do narcotráfico. ''Temos que parar de sermos hipócritas. Temos que deixar de ver o crime do favorecimento de prostituição como um crime menor. Crime é crime. Contravenção é contravenção. Em ambos os casos, os criminosos têm que ser punidos'', destacou.
Além das casas de prostituição, Zavattaro sinalizou a existência dos locais que vendem livremente o chamado ''jogo do bicho''. ''Ninguém faz nada. Mas se eu perceber este delito, vou cumprir minha parte'', completou. Adauto disse que a Polícia Civil vai coibir a prática de delitos. No entanto, as operações policiais não serão preventivas. ''Temos que ter as denúncias. Então vamos investigar e punir os infratores da lei'', assinalou.


