Algo mais que a empresa pode dar
Se a comunidade empresarial já é onerada pesadamente pela carga tributária, pelos juros escorchantes e pela burocracia emperradora, poderia dar mais forte ajuda para a diminuição da violência se abrisse oportunidade de emprego aos jovens que trilham pelo caminho da delinquência. Não há fórmula melhor de recuperá-los do que emprego e renda, e desse modo os ganhadores serão eles próprios e a sociedade. Mais polícia e mais prisões se necessárias como primeira providência porque o mal está instalado não constituem solução duradoura. A medida socioeducativa mais eficiente é a do trabalho remunerado, porque gera ganho e auto-estima, e é um caminho sem volta, entenda-se sem volta à marginalidade. Porque o trabalho, no convívio com os demais colegas, de diferentes origens, dá a esse jovem um rumo e um sentimento de dignidade. Clamar por mais policiamento, diminuição da idade de enquadramento penal desses infratores, e mesmo aplicar medidas extremas como veladamente muitos defendem reflete um certo desejo da sociedade de apenas punir. Há um esforço de instituições e de abnegadas pessoas para ressocializar esses menores infratores, com excelentes resultados, mas será necessário um engajamento maior, sobretudo das empresas, de forma a abrigar essa legião de marginalizados por via de uma oportunidade de emprego. O custo desse esforço extra seria ainda pequeno ante os prejuízos sociais decorrentes da delinquência. Se é certo que a sociedade paga para que o Estado lhe proporcione segurança, já se viu que o sistema público é ineficiente, com bolsões corrompidos e envolvidos com a própria criminalidade. Todas as fórmulas já foram sugeridas, mas a conclusão final é que o problema da marginalidade tem como causa principal a pobreza, que deriva da falta de emprego. Quem tem a garantia de um trabalho sadio e de um rendimento no fim de cada mês não encontra tempo para a delinquência. A questão em verdade não é apenas ocupacional e sim, principalmente, de dignidade e de o cidadão sentir-se útil. Sem estardalhaços, mas silenciosamente e com decidida vontade, uma cruzada pelo emprego a esses meninos infratores meninos na idade embora perigosos pelo que são capazes de fazer seria a fórmula mágica de extirpar a criminalidade nesse universo da juventude, o que significará no futuro menos bandidos adultos. A legislação poderia contemplar com algum benefício fiscal, mesmo que temporário, as empresas ou cidadãos que empregarem jovens naquelas condições. Assim, junto às celebrações por bom desempenho empresarial e pelo sucesso nos negócios, a empresa adicionaria esse algo mais. As soluções que a nação brasileira deseja emergirão do próprio meio social, por inspiração de cada segmento da sociedade. Se os governos são pouco eficientes, muito irresponsáveis, corrompidos e corrompedores, serão ainda os cidadãos que produzirão governantes melhores, e não o contrário. Abraçar a causa do menor infrator, pela via do emprego, será sem dúvida uma fórmula decisiva de extinguir da sociedade a chaga da delinquência.





