Ao aceitar o cargo de secretário do Trabalho do Paraná, o deputado federal eleito Alex Canziani enganou os que o elegeram. Os 74.875 eleitores que o fizeram deputado o queriam em Brasília e não numa Secretaria de Estado, muito menos esta inexpressiva Secretaria do Trabalho. O jovem parlamentar, de quem tanto se esperava, começou enganando o povo mais cedo do que se poderia imaginar. Para ‘‘deseleger-se’’, como ele acaba de fazer, deveria consultar o eleitorado, assim como fez quando se submeteu ao escrutínio popular para ser deputado.
Ele se apresentou ao povo paranaense como um cidadão que desejava ser um nosso representante no Congresso, e por ver nele qualidades para a função os eleitores acreditaram, e pensaram que era séria a sua proposta. Viu-se que Alex Canziani Silveira não falava sério. Bastaria um convite e ele se bandearia para outra função, por trás do gabinete de uma Secretaria que nem se sabe porque existe.
Brasília fica distante, Curitiba é aqui perto. Mas Alex deveria ter avisado o eleitorado de que sua intenção era, uma vez eleito deputado federal, disputar cargos por aqui mesmo, próximo de casa. Não que ele tenha feito essa proposta, mas está implícita aí a influência, porque com um cargo destes não lhe faltariam convites. Não avaliou ainda, o novato Alex, a expressão do título e da responsabilidade que o povo lhe outorgou nas urnas.
Teria ficado com medo de Brasília o nosso menino? Melhor acreditar nisto.
Com toda certeza o seu eleitorado não o perdoará. Estariam vivos seu avô pioneiro Severo de Rudin Canziani e seu pai Ody Silveira e lhe dariam umas boas cintadas...
Nós queríamos ouvir Alex em Brasília, pronunciando seus discursos em defesa das causas paranaenses - e ele é bom orador - mas não só isto: inteligente que é, esperávamos vê-lo discordando do status quo reinante na ‘‘câmara dos lordes’’, apresentando grandes projetos de reformas que a Nação exige, porque a esperança de um novo Parlamento (novo no sentido de melhor, de revolucionário) repousa nestes parlamentares emergentes, ainda não contaminados e isentos de vícios. Mas não: ao invés de ouvirmos sua voz ressoar pelas abóbadas do Congresso vamos escutar o governador dando-lhe ordens.
Em que uma Secretaria do Trabalho vai ajudar em alguma coisa? Se o Ministério correspondente nada pode, imagine-se uma repartição pública estadual!
Alex parece um meninão ingênuo ao declarar-se contente por ter sido convidado pelo governador. ‘‘Ganho um presentão de Natal’’, ele disse. Para quem era deputado federal, Alex entregou o título e ainda voltou troco. O suplente Ivânio Guerra e a região de Pato Branco agradecem pelo - este sim - presentão.
Londrina perdeu. Os eleitores, com toda certeza, nunca mais votarão em Alex para coisa nenhuma. Encerrou cedo, o meninão, a sua carreira política. Morreu no nascedouro.
E o presidente da República acaba de convidar o deputado federal paranaense eleito Rafael Greca para um ministério. Que pena! Um homem público tão brilhante, e tão brilhante orador, ademais intelectual, enriqueceria a representatividade paranaense no palco nacional das decisões políticas. Os 225 mil votos que ele recebeu ficam para a próxima... Esperava-se que Greca não aceitasse. Bastaria-lhe a glória de estar cotado para um Ministério. Ele já era dono de uma grande tribuna. Não será num ministério que prestará melhor serviço para o povo, ademais neste país de um único e superministério, que tudo faz e tudo decide, às vezes até acima das vontades do próprio presidente da República.
Mas o inteligente Alex por trás do balcão de uma secretariazinha... Ele tem que estar é em Brasília, para aprender o que ainda não sabe (não a malandragem da maioria dos seus pares, mas aprender o desempenho do poder e o poder do desempenho, em benefício dos cidadãos. Ele e o experiente deputado federal Luiz Carlos Hauly formariam uma dupla de qualidade, que dignificaria a representação norte-paranaense no Congresso.
E o governador Jaime Lerner, convenhamos, fez uma sacanagem com Londrina ao ‘‘cassar’’ o seu mais novo deputado federal.
Alex Canziani não deve estar falando sério. Acredita-se que já hoje cedo ele ligue para o governador e lhe diga que foi uma brincadeirinha. Que foi um entusiasmo dos primeiros instantes. Que ele ainda se pensava apenas vice-prefeito e presidente da Codel. Que ele não quer ser office-boy em Curitiba, mas deputado em Brasília.
Amanhã queremos ler na Folha de Londrina/Folha do Paraná esta manchete: ‘‘Alex desiste da Secretaria’’. Um título de 26 toques, perfeito e na medida exata dos editores para uma manchete de primeira página.
- WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

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