Deve ser levado em conta o alerta do ambientalista Fernando de Barros de que a implantação de usinas hidrelétricas ao longo do Rio Tibagi pode comprometer o abastecimento de água. Porque, como afirma, haverá quebra da corredeira pelos represamentos, gerando a formação de algas, algumas tóxicas.
Presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente, em Londrina, ele adverte que até agora muitos se preocuparam apenas com os prejuízos à biodiversidade e às terras indígenas e não com a qualidade da água, que será afetada.
  Oito usinas estão projetadas para o rio, que corta de sul a norte o Estado do Paraná, e segundo esse estudioso a questão da água foi relegada a segundo plano. As usinas podem inviabilizar o Projeto Tibagi, que consiste da captação desse manancial, para o consumo – ele declara.
Londrina já extrai água do rio, e por esse processo está assegurado o abastecimento para sempre – afiançam os técnicos – na cidade e em municípios vizinhos.
  Com a utilização do Tibagi para usinas hidrelétricas a qualidade da água ficará comprometida, segundo a advertência só agora feita. O tema foi objeto de audiência pública ontem em Londrina, com a participação de representantes daquele Conselho, de universidades, de entidades civis, de municípios banhados pelo rio e da própria Copel.
‘‘O Tibagi é um rio típico de corredeira e, por isso, toda matéria orgânica jogada em seu leito vai se depurando ao longo do percurso; mas com os represamentos ocorrerá o regime de águas paradas, com a perda daquela capacidade’’, afirma Barros em declaração ao repórter Eli Araújo, deste Jornal.
Ele se posiciona afirmando que não é contra a implantação de usinas – necessárias para o desenvolvimento industrial e para o abastecimento de energia pública e residencial – mas que é fundamental não haver comprometimento da qualidade da água.
  No caso de Londrina e da região próxima, de quase 1 milhão de habitantes, e da zona de influência mais abrangente, que chega a 2 milhões de pessoas, a água do Rio Tibagi é estratégica para o abastecimento de consumo humano. Um argumento dos contrários a tantas usinas nesse rio é que o Paraná já disponibiliza da energia elétrica que precisa, com sobra, e que o lucro com a venda de quilowatts para outros estados não paga os riscos que advirão.

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