Brincadeiras infantis nem sempre são levadas a sério pelos adultos, que acreditam que elas servem apenas para manter a criança distraída. No entanto, a importância do lúdico vai muito além. A pedagoga e mestre em educação Raquel Maria Biral Faconti garante que o brincar colabora no desenvolvimento infantil e prepara a criança para os desafios da vida.

Correr, pular corda e brincar com jogos, além de aguçar a criatividade, a imaginação e a memória, são práticas que fazem a criança aprender a lidar com perdas e a trabalhar em equipe.

''A importância principal do lúdico é que ele deixa a criança se expressar e conhecer o universo que está a sua volta'', diz Raquel, acrescentando que a forma como a família introduz o jogo e como o momento do brincar é tratado em casa são fatores que fazem a diferença.

Qual a importância do lúdico para o desenvolvimento infantil?
O lúdico é um meio natural por onde a criança se expressa. É extremamente importante que a criança brinque. Ela vai compreender o mundo em que vive, desenvolver sua cognição e afetividade, aprender a lidar com diversas situações. A importância principal do lúdico é que ele deixa a criança se expressar e conhecer o universo que está a sua volta.

As crianças brincam o suficiente hoje em dia?
Depende da região. Onde existe um movimento maior de carros e há uma situação de violência mais acentuada os pais não deixam as crianças muito livres. Mas ainda existem cidades em que elas brincam na rua, sobem em árvores e se divertem com brincadeiras de antigamente.

As brincadeiras tradicionais estão sendo substituídas por jogos eletrônicos. Quais implicações isso pode trazer?
Depende da situação e da maneira como o jogo eletrônico vai ser oferecido. Tudo em excesso é prejudicial. Até mesmo brincar o dia inteiro não é saudável. A mesma coisa pode-se dizer do jogo eletrônico. No entanto, não vejo como algo nocivo os jogos que evitam violência, cenas de terror e são apropriados para a faixa etária da criança. Jogos eletrônicos dosados, educativos e com o acompanhamento dos pais são bem vindos. Sempre vai depender da forma como o material vai ser empregado.

Como escolher o jogo ou a brincadeira adequada para a faixa etária?
É importante dizer que para a criança o jogo, a brincadeira e o brincar são atividades lúdicas. Elas simplesmente brincam. Nós é que fazemos uma classificação levando em conta o desenvolvimento das capacidades coginitivas, afetivas e psicomotoras. É importante que o adulto conheça quais são as habilidades que um jogo, uma brincadeira ou um brinquedo pode desenvolver e direcionar à criança materiais que comtemplem a saúde física e mental dela. Deve-se privilegiar os brinquedos e os jogos que estimulem a criatividade. Um brinquedo muito elaborado em que a criança só tem a preocupação de apertar um botão para tudo ficar pronto não vai estimular tanto a imaginação como os que a criança tem que criar, montar, desmontar e refletir sobre a proposta que o jogo traz.

De que forma os pais devem conduzir as brincadeiras?
A criança vai dar ao jogo, ao brinquedo e à brincadeira a mesma importância que os adultos dão à atividade. A forma como a família introduz o jogo e como o momento do brincar é tratado em casa são fatores que fazem a diferença. Têm pais que estimulam e brincam junto e os que deixam a criança brincar por brincar. A família precisa estar acompanhando esse momento de lazer. Isso vai tornando o ambiente mais saudável.

As famílias, de modo geral, estão conscientes sobre a importância do brincar para o desenvolvimento infantil?
Historicamente a noção da importância do jogar ou do brincar vai acontecer no Brasil na década de 1970 e 1980. Ainda estamos trabalhando com essa necessidade e mostrando o quanto é importante o brincar e o jogar em família.

Quanto mais cedo vierem os estímulos melhores serão os resultados?
A partir do momento que a criança age sobre o meio ambiente ela vai aprendendo situações importantes para a vida. Colocar um varal de berço e um chocalho é extremamente importante para o bebê começar a perceber o mundo a sua volta. O que não podemos é superestimular o nenê porque gera estresse. Uma criança que brinca muito e que tem de tudo, muitas vezes, não sabe aproveitar o brinquedo. Não é a quantidade que importa e sim a qualidade.

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