Das palavras à prática, este o caminho a seguir, e espera-se que se torne realidade o anúncio de que, a partir deste ano, a defesa sanitária da pecuária brasileira será considerada questão de segurança nacional. É promessa do chefe do Departamento de Sanidade Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gabriel Maciel, feita em Londrina durante o Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Agricultura, que se realizou na Sociedade Rural do Paraná como parte do programa técnico da Exposição Agropecuária e Industrial. Face ao momento difícil pelo qual a agropecuária vem passando nos últimos seis meses, a sanidade bovina foi assunto prevalecente nesse Fórum. O surto de aftosa, que atingiu rebanhos de Mato Grosso do Sul e se estendeu também ao Paraná virtualmente (porque não se comprovou nenhuma incidência neste Estado), pode ter servido ao menos para propósitos de unificação de ações, em todo o território nacional, conforme se depreendeu do encontro dos secretários em Londrina. O representante do Amapá, Otacílio Barbosa, disse que operações de controle sanitário têm sido isoladas e que precisam unificar-se num objetivo único. Este é também o propósito revelado por Maciel, que anunciou um programa governamental integrado e que será brevemente conhecido. Há um consenso quanto à União dos Estados em torno de políticas comuns de defesa da sanidade animal, e também do intercâmbio do Brasil com os países vizinhos, porque vantagens e prejuízos resultam comuns quando bons tempos ou revezes acontecem. A meta final é recuperar as exportações de carne bovina, o que deverá ocorrer só a partir de setembro, se tudo correr bem. Ao menos no Paraná os abates sanitários foram concluídos e os pecuaristas já receberam 50% das indenizações. Chega ao fim o devastador tufão da febre aftosa, e agora começará a tarefa da reconstrução. O impacto foi grande, porque o episódio resultou em pesada sanção dos importadores que simplesmente deixaram de comprar e das leis da poderosa Organização Internacional de Saúde Animal, da qual o Brasil faz parte. Foram seis meses de angústia e serão necessários outros seis para as regiões afetadas serem consideradas livres de aftosa. Por outro lado, gerou alento o anúncio do Ministério da Agricultura de que será liberado um pacote de novos créditos e que haverá prorrogação de dívidas dos produtores rurais. Se a liberação for imediata e o ''affaire'' da febre aftosa seguir o curso de resolução definitiva, os negócios do campo voltarão a decolar.

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