A notícia do aumento de safras é sempre animadora e ainda melhor quando há boa perspectiva de preços. A previsão para este ano (período 2007/08), de 135,8 milhões de toneladas no País, é 2% maior que a colheita anterior, que já era também um recorde. O ministro da Agricultura e Pecuária, Reinhold Stephanes, declara confiar que os preços no atacado devem continuar em alta no correr do ano, em função do aquecimento dos mercados externos para os produtos agrícolas. Ele se estriba em fatores como o crescimento econômico dos países em desenvolvimento e no uso de matérias-primas da agricultura para a produção de combustíveis.
A corrida para o etanol à base de milho demonstra a tendência esperada de valorização do produto. Só nos Estados Unidos foram destinadas para aquele fim 80 milhões de toneladas do cereal, e fatos como esse beneficiam o Brasil. Já no ano passado havia ocorrido aumento da demanda e dos preços também da soja, do trigo, do leite e derivados e dos sucos, e a perspectiva é de continuidade desse ritmo. Flávio Bolliger, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - órgão que, em parceria com o Conselho Nacional de Abastecimento, fez os cálculos que resultaram nesse expresssivo volume anunciado - acrescenta que esta será, ademais, uma safra de mais qualidade, pelo maior investimento dos produtores em adubo e tecnologia.
A soja isoladamente terá produção idêntica à do ano passado, mas atente-se que a colheita anterior foi muito boa, significando que o volume previsto para o corrente exercício será também superlativo. O feijão, produto indispensável na mesa do brasileiro, sofrerá pequena queda na produção, por causa da estiagem nas zonas produtoras. Seu preço (caso do feijão branco) está triplicado para o consumidor.
O cenário apresenta-se favorável, mas o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Kireeff, declara que o setor agrícola ainda tem um endividamento de R$ 140 bilhões e que será preciso saldar essa conta. Porém não descarta que um dos termômetros do agronegócio - a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina - assinala para expansão da comercialização de máquinas e equipamentos agrícolas em 2008, o que é um sintoma do otimismo reinante.

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