ALÉM DA SOMBRA - Bonés podem ajudar no combate ao câncer de pele
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de fevereiro de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O boné poderá se transformar em um aliado no combate ao câncer e outras doenças de pele. Isto é o que deseja o Arranjo Produtivo Local de Bonés de Apucarana, que sugere a utilização do acessório como protetor solar, uma vez que o aquecimento global parece irreversível - ao menos por enquanto. A idéia foi apresentada à Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Coordenador do grupo gestor do APL Bonés de Apucarana, o empresário Jayme Leonel quer mudar o conceito dos bonés apenas como acessório da moda ou um produto de marketing, mas que seja algo importante para a saúde das pessoas. Ele só teme o crescimento do domínio chinês no setor de confecção em todo o mundo, por um simples motivo: o custo de produção na China é bem inferior ao de outros países.
Efeitos atribuídos ao aquecimento global influenciam na produção de bonés?
Perfeitamente. Estamos em contato com a Associação Brasileira de Dermatologia para que ela indique o boné como protetor solar. O boné hoje é indicado para as caminhadas, para as pessoas que estão nas praias ou apenas quando tomam sol. Isso é uma das coisas que também estamos enfocando: o boné como um instrumento de proteção da pele das pessoas, principalmente para as pessoas de pele mais claras.
O boné pode então se tornar importante também para a saúde?
Aí coincide as duas coisas: a necessidade de usar os bonés e a possibilidade de comprar bonés diferenciados. O produto não será usado apenas para fazer a divulgação de uma empresa, mas a pessoa também vai usar o boné para se proteger. Ela poderá escolher um boné com mais ou menos acabamento. Tem bonés simples, de uma cor só, que a pessoa pode usar sem divulgar nada ou fazer a pequena divulgação de uma marca.
Como surgiu o APL Bonés em Apucarana?
O APL existe quando há uma grande concentração de empresas do mesmo ramo em uma cidade. A idéia é reunir as empresas deste segmento para um melhor aproveitamento em todos as áreas, tais como tecnologia, desenvolvimento e marketing. Enfim, é a união de forças. E a fabricação de bonés é tradicional em Apucarana. O pólo tem quase 25 anos.
Mas as primeiras fábricas surgiram sem pretensão nenhuma...
A primeira fábrica foi criada para vender bonés nas praias, nas praças. Eram bonés produzidos sem tecnologia. Há quatro ou cinco anos, tinhamos apenas bonés promocionais de bancos, empresas de defensivos, de tratores; mas de quatro ou cinco anos para cá - inclusive coincidiu com a implantação do arranjo -, o boné passou a ser um acessório do vestuário. Hoje você vê as pessoas usando bonés nos shoppings, nos restaurantes, nas baladas. O boné passou a ser uma parte do vestuário.
E poderá fazer parte do uniforme escolar...
Exatamente. Já existe um projeto em tramitação no Congresso Nacional autorizando o uso do boné nas escolas. Não seria um item obrigatório, mas permitido.
Qual a importância da indústria de bonés para a economia de Apucarana?
É muito grande. O vestuário exige muita mão de obra. Tem empresas com 200, 400 empregados. É um setor que distribui a riqueza. Foi realizado um censo em nosso segmento e se levantou que temos aqui mais de 500 empresas ligadas ao setor de bonés e tem muitas empresas com apenas dois ou três funcionários. A pessoa pode trabalhar também em casa e ajudar em uma série de coisas. A distribuição de riqueza é muito grande.
Ou seja, proporciona geração de renda para essas famílias...
Exatamente. Ela consegue reduzir, inclusive, um pouco a pressão que existe no sistema de saúde. A pessoa tem um ganho familiar e com isso ela consegue educar os filhos, arrumar a casinha dela, comprar utensílios domésticos, com esse ganho extra que tem com a mão de obra terceirizada.
E quais são as perspectivas do setor?
Hoje temos preocupação muito grande com o aumento da qualidade do produto. Produzimos artigos de grife para uso como acessório do vestuário. A moda hoje é muito dinâmica e precisamos de uma atualização constante. Para isso, criamos há dois anos a escola da moda na Universidade Federal Tecnológica para formar profissionais nessa área. O segmento exige criatividade e muita dedicação.
A China, que está se expandindo no setor de confecção, representa ameaça?
Sim. A China tem uma forma diferente de comercializar seus produtos. Ela está colocando no mundo, e também no Brasil, um boné de qualidade, mas com um terço do nosso preço. Temos uma legislação trabalhista adiantada, as pessoas têm proteção e isso tem um custo. E a China, por sua vez, tem muita mão de obra que precisa ser empregada. Então o governo subsidia essa mão-de-obra. E a China começou suas exportações exatamente pelo vestuário.


