Além da possibilidade de racionamento no fornecimento de água e de energia elétrica no Paraná, o doutor em geoquímica e professor do Departamento de Geociência da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Paulo Pinese, alerta para os riscos de contaminação dos mananciais de água, tanto os superficiais quanto os subterrâneos. Ele apontou que a rede hidrográfica paranaense é muito boa mas está exposta à contaminação pela atividade humana.
De acordo com ele, a poluição de águas superficiais ''é fato'', principalmente em áreas com grandes concentrações urbanas e industrializadas e em áreas agricultáveis. Na zona rural, os mananciais pode ser contaminados por defensivos, fertilizantes e coliformes. O uso do chamado poço cacimba por exemplo, segundo o pesquisador, pode impactar o lençol freático. Para as pessoas, lembrou o professor, o problema é que a maior parte da água que chega até as casas é captadas de rios e lagos, e quanto maior a poluição maior o custo para sua despoluição.
Pinese rebateu ainda o mito de que as águas subterrâneas - no caso do Paraná, os aquíferos de Serra Geral e Guarani - estariam isentas de riscos. O pesquisador explicou que, dependendendo das características geológicas desses aquíferos, a água pode naturalmente conter em sua composição química elementos que podem afetar a saúde humana. Ele citou o exemplo de Itambaracá (46 km a leste de Cornélio Procópio), onde foi constatado há quatro anos que a água distribuída à população tem alta concentração de flúor, o que pode provocar má formação dentária em crianças e deformações ósseas.

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