Álcool ou drogas: a família pode ajudar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 1997
Simone Martin Oliani 
A dependência de drogas assim como todas as dependências, é vista como um distúrbio psicológico e, muitas vezes físico, que resulta de uma interação entre o organismo vivo e a droga. É um comportamento que sempre inclui uma compulsão de usar a droga para sentir seu efeito e/ou para evitar o desconforto provocado pelo não uso.
Os profissionais que trabalham na recuperação de dependentes químicos concordam que a família tem um peso muito grande no processo, tanto para o início da recuperação quanto no apoio para manutenção. Sabemos que não dá pára esperar que um belo dia o dependente de álcool e/ou outras drogas tenha um despertar espontâneo que o leve a decidir que chegou a hora de parar. Isto existe? Sim, mas é a exceção! Raramente isto ocorre e quanto mais o tempo passa, menos probabilidade existe de que acontecerá.
Você deve estar perguntando: Mas como fazê-lo parar? Já tentei de tudo! Talvez já tenha tentado mesmo quase tudo. Só que a pergunta chave é outra: Como fazê-lo querer parar? Encontrar a resposta a esta pergunta vai exigir dos pais, da esposa, dos filhos, dos irmãos, do empregador e até amigos uma dose de coragem, persistência e determinação. A outra alternativa é a progressiva destruição do casamento, do lar, da família, dos laços sociais, da profissão, chegando à morte prematura ou na loucura permanente, além dos danos quase irreversíveis causados a todos que conviveram com o dependente.
Não é fácil estar envolvido com esta situação. Adotar medidas para iniciar a recuperação também é doloroso para todos, mas é o único caminho que apresenta uma perspectiva para algo melhor. E este caminho torna-se muito mais fácil, quando a pessoa envolvida com o dependente aceita como fato claro e inegável. Somente então estará em condições de deixar de ser cúmplice (co-dependente) na evolução do processo e criar condições para a recuperação (a própria e a do outro).
Se você deseja que seu familiar dependente se recupere, uma alternativa razoável é você iniciar o tratamento. São duas ações e reações que farão com que você vença ou fracasse, e não o que o dependente faz.
Analise seus sentimentos e ações. De que meios você dispõe para lidar com o problema? Até que ponto você realmente se sente bem em relação a si mesma? Você gostaria de se sentir melhor? Suas ações estão ajudando o dependente? Ou você está ajudando a tornar a vida dele mais fácil? Você o está fazendo ver que ele é importante diante de drogas? Empenhe-se ao máximo para adquirir conhecimento sobre uso e abuso de drogas, busque conhecer-se para adquirir a força necessária para poder lidar melhor com o dependente de uma maneira saudável, tanto para você e quanto para ele.
Ninguém pode obrigá-la, nem seu familiar dependente a continuar com aquela maneira distrutiva de viver, a menos que você permita. Entretanto é importante você saber o que poderia dar ou não resultado. Até agora, talvez por desconhecimento, por medo ou vergonha, você tentou esconder o problema. O momento é agora! Procure ajuda com quem tem experiência no assunto.
Conviver com um dependente químico torna você co-dependente. Se a co-dependência não for tratada, ela com certeza se propagará! Como? Vamos falar sobre isto num próximo momento.
Maiores informações no CELAC - Centro Londrinense de Análise do Comportamento - Av. Higienópolis, 32 sala 904 - fone : 324-4740. Londrina/PR. (E-mail:oliani @sercomtel.com.br.)


