Álcool e violência
O estudo Vigilância de Violências e Acidentes (Viva), realizado pelos ministérios da Saúde e das Cidades em hospitais de 27 capitais que realizam atendimentos de urgência e emergência pelo Sistema Único de Saúde (SUS), trouxe números reveladores sobre as causas dos internamentos relacionados à violência e acidentes de trânsito. Um dos recortes da pesquisa mostra que o consumo exagerado de bebidas alcoólicas se tornou um dos principais problemas de saúde pública no Brasil. Foram avaliados 47,5 mil vítimas de violência e acidentes que passaram por 71 hospitais em setembro de 2011.
Pela pesquisa dos ministérios da Saúde e das Cidades, um em cada cinco motoristas envolvidos em acidentes de trânsito - que foram atendidos na rede pública - informou ter bebido antes da ocorrência. Os pesquisadores levaram em conta não apenas motoristas que consumiram álcool, mas também passageiros dos veículos e pedestres. O Ministério da Saúde calcula que os custos com internações por acidentes de trânsito, em 2011, chegaram a R$ 200 milhões.
O Viva mostrou que o álcool também reflete nos atendimentos às vítimas de agressão. Segundo o estudo coordenado pelo governo federal, 49% das pessoas internadas naquele período tinham consumido bebida alcoólica. Como era de se esperar, os pacientes masculinos tinham mais histórico de consumo de bebida. Cinquenta e quatro por cento dos homens internados por qualquer tipo de violência declararam que fizeram uso de álcool. Entre as mulheres, o índice foi de 31,5%.
Se um novo estudo semelhante for conduzido pelo governo federal este ano, espera-se resultados diferentes, mais positivos, por conta da nova e rigorosa Lei Seca, que entrou em vigor em 2013. Mas a conscientização sobre as consequências desastrosas do consumo irresponsável de álcool precisa ser ampliado e não ficar restrito apenas ao se beber, não dirija. Campanhas esclarecendo sobre o alcoolismo de uma maneira geral, principalmente para o público jovem, também precisam ser veiculadas na mídia e levadas para escolas, universidades e empresas.





