Álcool e juventude
O primeiro contato do jovem brasileiro com a bebida alcoólica começa mais cedo do que se imagina, antes do término do ensino fundamental, segundo mostrou a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE 2012), realizada pelo Ministério da Saúde e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo, divulgado neste ano, identificou que 66% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental provam bebidas alcoólicas pela primeira vez nesta fase da vida, ou seja, por volta dos 14 anos. Essas informações são mostradas em reportagem, hoje, na Folha de Londrina
No Sul do País, o cenário é ainda mais preocupante. O PeNSE 2012 identificou que os adolescentes do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul superam em 10% o índice nacional de experimentação de bebidas alcoólicas antes de entrarem no ensino médio. Na região, 76,9% dos meninos e meninas já provaram bebidas com álcool nesta fase da vida. O índice de adolescentes que tomaram uma dose inteira de bebidas também é maior entre os sulistas: 56,8%, contra a média brasileira de 50,3%.
Os adolescentes do Sul superam a média nacional em muitos aspectos analisados pelos pesquisadores, até mesmo a ocorrência de episódios de embriaguez. Os pesquisadores não têm uma explicação científica para o elevado consumo de álcool entre os jovens da região. Especula-se que a resposta esteja no melhor poder aquisitivo das famílias em comparação com outros Estados.
A melhoria da situação econômica da população também pode ser a justificativa para o aumento do número de dependentes de álcool no Brasil, conforme o 2° Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) divulgado no primeiro semestre deste ano pela Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp). Em termos gerais, o estudo estima que 11,7 milhões de brasileiros são dependentes de álcool. Houve um crescimento de 20% em relação ao primeiro Lenad, realizado em 2006.
O aumento do consumo de bebidas alcoólicas entre adolescentes e adultos não é novidade. As pesquisas divulgadas ano a ano, infelizmente, vêm atualizando para cima os números de brasileiros que abusam do produto. As consequências, todo mundo sabe: vidas e famílias destruídas pelo alcoolismo. A solução depende do empenho das famílias, educadores, profissionais de saùde e segurança pública - pois é sempre bom lembrar que é crime vender bebida com álcool para menores de 18 anos.





