Embora o Brasil vá alcançando a independência no setor petrolífero, pela equivalência entre consumo e produção, o renascimento do álcool anidro é um salvador da pátria como combustível não-poluente. E, tão importante quanto isto, é hoje um negócio de 300 milhões/ano de dólares anuncia o agrônomo Luiz Traldi e os produtores estão eufóricos. O assunto está na Folha Rural de ontem. Nessa reportagem, demonstra-se que o mercado é promissor para os próximos dez anos, pela perspectiva de a cana (sucro e alcooleira) ocupar 8 milhões de hectares, no Brasil. O álcool carburante, pela palavra do agrônomo Aledino Carminate, é o único capaz de competir com o petróleo em termos de preço, e isto pelo baixo custo da produção de cana. Mesmo que o Brasil esteja avançando na prospecção de petróleo, os estoques mundiais tenderão a decrescer, com aumento dos preços internacionais. Nisso o Brasil estará em vantagem, pela auto-suficiência nos dois produtos. O crescimento da fabricação de veículos com motor flex também contribuiu para o setor alcooleiro. A previsão é que a demanda por álcool no Brasil aumentará de 160 milhões para 400 milhões de litros/ano. A vitória brasileira na Organização Mundial do Comércio, quanto à redução do subsídio de países europeus na produção de açúcar, também será favorável ao cultivo de cana no Brasil. Embora estigmatizada por causa do trabalho sazonal e sacrificante, a cana-de-açúcar ocupa grande volume de mão-de-obra, portanto gerando empregos, ao menos nos períodos de safra. O Brasil representado pela cadeia produtiva sabe dar sua resposta positiva quando estimulado, caso do aumento da produção de veículos que também podem usar álcool e da queda de produção petrolífera no mundo, pelo esgotamento dos poços. Louva ver este novo salto do álcool, depois da euforia e da frustração que se seguiu em anos passados, quando o mundo viu o Brasil produzir um carburante extraído de um vegetal, a cana, também produtora de açúcar e que a maioria dos países desconhecia. Interesses óbvios dos monopólios petroleiros, na época, sufocaram o entusiasmo brasileiro, e toda a estrutura de produção de álcool acabou desmantelada ou desativada, incluindo-se as célebres mini-indústrias do combustível, instaladas nas propriedades rurais. A sequência natural seria a paralisação da produção de motores a álcool. Agora tudo se reacelera, e com perspectiva de durar.

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