O pacote de ajuste fiscal promovido pelo governo federal tem desagradado também os governadores. Reunião realizada ontem no Congresso ouviu queixas dos representantes estaduais. A principal reclamação é que a União paralisou obras e freou investimentos, o que atinge diretamente a infraestrutura e que, por consequência, a população.
Não é novidade que o País passa por um período de crise econômica. Ao contrário do que prometeu a presidente Dilma Rousseff (PT) durante a campanha eleitoral, as finanças não estão controladas, gastou-se muito nos últimos anos e agora os tempos são outros. Os ajustes são de fato necessários, ninguém discute isso, mas as medidas deveriam ter sido melhor discutidas com a população.
Aumentar impostos – quando a carga nacional já é demasiado alta – sobrecarregando empresas e população, mexer em direitos trabalhistas e aumentar as tarifas administradas em um cenário que já aponta para a deterioração do mercado de trabalho e para a elevação da inflação parecem medidas extremadas demais, principalmente quando o governo sequer faz sua parte. Por enquanto pouco foi anunciado nesse sentido.
Agora, reclamam os governadores da paralisação dos investimentos, esses que são apontados por especialistas como uma das soluções para amenizar os efeitos da crise. Não seria o caso de, ao menos, realizar estudos para levantar quais são as prioridades? Obras de investimento não devem simplesmente ser suspensas ou postergadas porque trazem prejuízos a longo prazo. Um desses exemplos é o próprio sistema elétrico do País, muito suscetíveis às variações climáticas. As condições das rodovias também atrapalham o crescimento do País.
O planejamento precisa ser levado mais a sério. A população deve cobrar mais de seus governantes a implantação de ações que conduzam o País a um crescimento sustentado e de longo prazo.

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