Ajuste fiscal e consolidação do Real - Luiz Carlos Hauly
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de novembro de 1997
Luiz Carlos Hauly 
Era uma vez um plano de estabilização econômica que fracassou porque os responsáveis por sua execução se omitiram e postergaram a adoção de medidas exigidas para sua consolidação... Este, seguramente, não será o desfecho da história do Plano Real sob o comando do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O Real não foi concebido como uma obra pronta e acabada, mas sim como um processo de longa duração, às vezes penoso, que requer atento e permanente acompanhamento com vistas à pronta superação de dificuldades e problemas inesperados ou correção de eventuais distorções, desvios e resultados imprevistos.
É isto que o presidente da República e sua equipe econômica vêm realizando com eficiência, capacidade e coragem, sejam impopulares ou não as iniciativas necessárias. Graças a essa orientação é que estamos conseguindo manter o rumo certo no processo de consolidação do Plano Real.
A recente conjuntura adversa, fruto e reflexo de crises econômico-financeiras externas, colocou em perigo a continuidade e o sucesso do programa de estabilização e a valorização de nossa moeda. A reação do governo federal, imediata e corajosa, evitou danos maiores. Sem histerismo, pânico ou atropelos, a equipe responsável pelo Plano analisou a situação e, com serenidade e determinação, propôs ao presidente Fernando Henrique o ajuste fiscal e de competitividade consubstanciado nas cinquenta e uma medidas anunciadas ao País, por ele adotadas, segundo suas próprias palavras, para manter a condição de governabilidade, de estabilização da moeda e de impedir retorno da inflação.
Vozes discordantes levantaram-se contra uma ou duas delas ou em relação ao alcance de outras. Nenhuma delas porém, quanto à necessidade do ajuste em seu conjunto e a seus objetivos. Às pessimistas previsões de recessão, o presidente da República contrapôs a garantia de que o governo não ficará de braços cruzados vendo a economia empobrecer, e vai buscar novas formas de reativação de setores que possam crescer sem aumentar o volume das importações, advertindo que não se deve fazer apostas na diminuição do ritmo de crescimento.
Cabe, agora, ao Congresso Nacional examinar as matérias submetidas à sua deliberação e propor as alterações e aperfeiçoamentos que soberanamente julgar compatíveis com a coerência de ajuste, sem comprometimento, porém, das metas projetadas.
Paralelamente, deve ultimar a apreciação das reformas constitucionais ainda pendentes, pois restou comprovado que a reestruturação do aparelho do Estado, da Previdência Social e do Sistema Tributário é fundamental para o equilíbrio das contas públicas do País, a estabilização de sua economia, e, consequentemente, para a defesa de nossa moeda contra ataques especulativos de qualquer origem.
O programa de estabilização econômica, de combate à inflação e de fortalecimento de nossa moeda foi implantado sem confisco de poupanças ou congelamento de preços, com sacrifícios, é verdade, mas com inegáveis benefícios e perspectivas promissoras para toda a sociedade brasileira. Sua consolidação é tarefa do governo e seu êxito depende da colaboração e compreensão de cada um de nós, tendo como objetivo maior o crescimento econômico com justiça social.


