Anunciado há algum tempo pelo governo federal, o programa de ajuste fiscal foi divulgado ontem. Entre os cortes no Orçamento 2015, as maiores contingências – em números absolutos – estão nas pastas das Cidades (R$ 17,2 bilhões), Saúde (R$ 11,8 bilhões) e Educação (R$ 9,4 bilhões). Embora a equipe do governo afirme que programas "estruturantes" serão mantidos, é claro que os cortes atingirão em cheio segmentos que já não funcionam bem.
Ninguém discute que essas três áreas precisavam de mais recursos. O desempenho dos estudantes brasileiros, divulgado por diversas pesquisas mundiais, é muito ruim. Comprova que crianças e adolescentes não conseguem aprender o conteúdo. Não sabem efetuar operações matemáticas e compreender o que leem. Além disso, há escolas sem o mínimo de infraestrutura e que não oferecem um ambiente confortável e tranquilo ao aprendizado. Outra questão importantíssima é o corpo docente. O País precisa desenvolver um projeto de valorização dos professores.
A Saúde é outro "calcanhar de Aquiles". Hospitais e postos de saúde superlotados, pacientes graves sem atendimento, demora para realização de exames e cirurgias eletivas, entre vários outros problemas. Além disso, o Programa de Aceleração do Crescimento, um dos "carros-chefe" da administração petista, teve mantido apenas 39,1% das verbas previstas. É onde estão concentrados investimentos em obras de infraestrutura – outro gargalo.
A notícia do dia ficou para o aumento da taxação para os bancos. A alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido subiu de 15% para 20%, como um recado do governo de que o ajuste atinge a todos. No entanto, nada do que foi anunciado foca no enxugamento da máquina pública. Aumentar impostos, cortar investimentos em infraestrutura e em setores essenciais penaliza sobremaneira a população. E o governo não tem feito a sua parte.

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