Ajudar os que sofrem com o frio
O frio intenso no sul do País começou mais cedo este ano, e esta é a época mais cruel para as populações pobres. E é também uma boa ocasião para o exercício da solidariedade. Se os caminhos indicam para a elevação do padrão social dessas pessoas através de políticas que contemplem a moradia e o emprego, o momento é emergencial e, agora, há que pensar no imediato. Que significa amenizar o sofrimento de tanta gente, especialmente as crianças, que são as mais frágeis. Reportagem deste jornal mostrou como sofrem aqueles que não têm boa casa, cobertores, agasalhos para o corpo, água quente para a higiene corporal e nem toalha depois do banho gelado. Para não falar da alimentação insuficiente, que é uma das maiores torturas humanas.
As cidades paranaenses, grandes, médias e pequenas, têm numerosos contingentes de pessoas carentes, que vivem à margem do conforto moderno num Estado de tanta riqueza, representada sobretudo pela abundância da produção agrícola. Uma incoerência, mas assim caminha a insensatez humana, que aprendeu a arte de competir mas muito pouco a de dividir e partilhar. E enquanto as injustiças sociais não são corrigidas, pode-se atenuar ao menos o problema do frio, com a doação de agasalhos a esses carentes. Sempre há, nas casas dos mais abastados, roupas já sem uso e que mofam nos armários, destinadas a lá permanecer por muito tempo se não lhes for dado proveito. A oportunidade é de tirá-las de lá e dar-lhes um destino, diretamente para as pessoas necessitadas ou através das instituições e pontos de coletas, que se encarregam do selecionamento e da distribuição.
Essa prática solidária depende apenas de uma decisão de ''fazer uma limpa'' nas prateleiras e cabides e dar função a tantas peças, que resultam inúteis ali guardadas. Há que ter o desprendimento de não pensar que um dia se irá usá-las, porque a prática demonstra que tal, no mais dos casos, não acontece. Melhor seria é sempre necessário dizer que as pessoas pudessem comprar suas próprias roupas, da forma que lhes agrade e com o recurso de seu salário, mas se ele é insuficiente e muitos nem emprego têm, é preciso doar tudo o que se tem em excesso e sem uso. Naturalmente que sem desprezo da prática de também doar coisas novas, se for da vontade. A hora é agora, porque anunciam-se baixas temperaturas para os próximos dias, e o inverno apenas está começando.





