Ajuda que brasileiros podem dar
Se o Brasil é um país de riquíssimo potencial mas com grande parte da nação ainda pobre, isto não impede que a solidariedade se manifeste, e é o que felizmente está acontecendo no caso da ajuda às vítimas do maremoto na Ásia. Os brasileiros já contribuiram com 500 toneladas de donativos, e as embaixadas dos países atingidos pedem que seja enviada ajuda também em dinheiro e medicamentos. É louvável a ação humanitária que ora acontece, no mundo inteiro, para socorro àquela gente tão duramente atingida, e onde problemas conseqüentes, e muito graves, passaram a acontecer, principalmente as epidemias, em face de tantos corpos ainda não removidos. Uma tragédia que os brasileiros nunca sentiram, pela graça da natureza, porque repita-se o chavão aqui não acontecem maremotos, vulcões, furacões e nem tesmpestades na dimensão do que ocorre em outros países. Também não existem no Brasil as nevascas, até porque não há neves, e este é um privilégio de um país onde o sol se manifesta de janeiro a dezembro, em todos os quadrantes. Aqueles que conhecem países sujeitos a fenômenos atmosféricos violentos, que se repetem todos os anos, sabem o que eles significam em estragos, em constantes medos e em tenebrosas expectativas. Ricos e pobres, os brasileiros podem ajudar, e é o que estão fazendo, por isso há sempre que reverenciar esse aspecto humanitário do povo desta terra, capaz de emocionar-se e mobilizar-se a favor de outros, embora as dificuldades sociais internas. O momento não é de discutir questões das carências permanentes, aqui e lá fora, mas apenas de ajudar neste instante emergencial da Ásia, porque a fome, a doença, a falta de abrigo, não podem esperar. O piloto da Varig, Nelson Wanderley, que levou um carregamento de 57,5 toneldas para Sri Lanka, descreve sua emoção sobre o que viu, sobre a reação de agradecimento da população e o experimento pessoal de realizar uma ajuda humanitária como esta de que participou. Muitos são os que podem contribuir com, no mínimo, 1 dólar, ou com moeda nacional para aquisição aqui mesmo dos medicamentos mais urgentes, bastando que a sociedade se organize e centralize a coleta. Cada segmento social sempre tem pessoas com especial aptidão para presidir campanhas dessa natureza. Se, nos lugares atingidos, o impacto da primeira hora já passou, agora um novo drama se inicia, que é o do atendimento aos sobreviventes feridos e doentes, e o da reconstrução, penosa e demorada. As embaixadas fornecem relação dos medicamentos mais reclamados, em face do drama representado pelas moléstias que se sucedem, e também sobre os procedimentos para o envio de dinheiro. A hora é de um olhar para essas necessidades extremas, independente de tantos problemas de fome e miséria que também ocorrem no Brasil. O grave, nas regiões ora tão duramente assoladas, é, repita-se, a proliferação de doenças, o desabrigo, a orfandade, a dor de tantas perdas para os que ficaram.





