Não existe pecado em fazer composições políticas com os partidos, ou a governabilidade pode se tornar problemática, mas se a nomeação do ministro Silas Rondeau, afastado por denúncia de corrupção, partiu das fileiras do PMDB por indicação dos senadores José Sarney e Renan Calheiros, causa perplexidade que o mesmo cacique político das terras maranhenses e o outro das Alagoas sejam outra vez os indicadores do novo ministro. Se as lideranças partidárias no Congresso acabam de anunciar - depois da Operação Navalha - um propósito de moralização, a repetição de idêntico processo indicatório, no caso do ministro, nega esse princípio. Não se faz aqui avaliações a priori acerca da idoneidade do nome mais cotado - Márcio Zimmermann - mas questiona-se a presença perpétua de figuras como José Sarney nesses sistemas de escolha.
O poder desses dois senadores é tão forte no âmbito do PMDB que quase a bancada inteira, incluindo o presidente do partido, fecharam questão antecipada sobre o nome que vier a ser indicado por eles. Houve alas que contestaram, significando que também dentro do partido há quem não aprova esse caciquismo. Depois da acusação contra Rondeau - apadrinhado de Sarney e Renan - ambos ficaram também chamuscados. No caso de Sarney - há quatro décadas no controle do Maranhão - ele, membros do clã familiar e seus seguidores não são propriamente um exemplo de sadia política e nem um modelo a seguir. Esse mando feudal, ademais, produziu o Estado brasileiro de população mais pobre. Nada mais será preciso dizer.
O presidente Lula não é o dono do Ministério das Minas e Energia - o foco do momento - e sim o PMDB, e isto faz parte do intercâmbio celebrado entre o partido e o Governo, no segundo mandato. Leia-se que quem terá forte comando nesse ministério será ninguém mais senão o velho e habilidoso Sarney. É assim que se escreve a história da política brasileira. Os líderes do partido respiraram aliviados - mesmo com o abalo provocado pela saída do ministro denunciado - depois que o sinal foi mantido aberto para outro ministro da cota peemedebista (embora Zimmermann não esteja filiado a nenhum partido). Aparentemente, nenhuma preocupação deles com o estrago aos cofres públicos, ante a revelação do escândalo e tendo um dos seus nesse rolo, e sim a tranquilidade pela continuidade no comando daquele ministério.
Nenhuma admoestação ao ministro afastado, que inclusive participou de um almoço a três, na residência de Renan Calheiros, para indicar o novo nome. A pasta das Minas e Energia é um poder em si mesma, pois tem um orçamento de R$ 800 milhões só para o correspondente às obras deste ano das hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio, no rio Madeira, em Rondônia, e nas quais serão investidos R$ 20 bilhões no total. Por isso um dos ministérios mais cobiçados. Onde gira muito dinheiro gira poder.

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