É axiomático dizer que é no município que mais se pratica democracia pela circunstância de as instituições se encontrarem mais perto do povo. O que é singelo na teoria não se confirma na prática. A imaginária simetria entre proximidade e fiscalização efetiva enfrenta aspectos culturais ainda de difícil remoção. Reportagem recente desta FOLHA (‘22% dos projetos apresentados na Câmara são ‘sem relevância’’’, pág. 3, 23/8) mostrou o peso das chamadas matérias irrelevantes (nominações de ruas, praças e rotatórias, bem como declarações de utilidade pública) em Londrina e que aliás se repete em Curitiba e na maioria esmagadora das cidades.
  As funções essenciais de um legislativo decorrem de dois momentos de um mesmo processo: a lei de meios, o orçamento e o acompanhamento da sua execução. E quase sempre há deficiências de formação técnica das comissões encarregadas desse trabalho. De outro lado, as ações institucionais como ocorreu com a revisão do Código de Posturas, o ‘‘Cidade Limpa’’ e o novo plano diretor mostram um lado mais operacional.
  O aspecto mais positivo a destacar a cidade, como segundo polo urbano do Paraná, é a eficiência das denúncias que alimentam um Ministério Público, cioso de suas funções, e que tem levado ao afastamento de vereadores e dirigentes municipais processados exemplarmente. Essa intervenção ativa nos cidadãos, o sentido da vigilância permanente, do alinhamento obrigatório nessa missão que tem muito de civilizatória e quase do resgate da ‘‘ágora’’, praça da cidade-Estado dos gregos que os constituintes de 1988 tentaram reviver com a tal da democracia direta, nos primeiros dispositivos da Carta, hoje traduzida nas leis de iniciativa popular e referendos e plebiscitos.
  Igualmente os projetos aludidos de escassa relevância também decorrem de um sentido de participação menos alentado para o varejo das reivindicações menos elaboradas, mas de qualquer forma com a marca testamentária do povo.

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