Cento e trinta e cinco mil pessoas são portadoras do vírus HIV (transmissor da aids) no Brasil e desconhecem o diagnóstico. A estimativa é do Ministério da Saúde. Como nem todos os portadores do vírus desenvolvem a doença, essas pessoas podem conviver anos sem apresentar sintomas.

Domingo (1º de dezembro), Dia Mundial de Luta contra a Aids, traz à tona obstáculos e conquistas ao longo da trajetória de combate à epidemia. Não só no Brasil, mas no mundo todo um dos principais desafios é conscientizar os jovens. No último ano, pouco mais da metade das infecções por HIV registradas no País (52,7%) ocorreu na faixa etária de 20 a 34 anos. O Paraná notificou 18.763 casos de HIV entre 2007 e 2017. Destes, 66,2% estavam na faixa etária entre 20 e 39 anos.

A boa nova é que segundo o Ministério da Saúde, o número de mortes por aids caiu em todo o País. No ano passado, 10,9 mil pessoas faleceram com a doença. Em 2014 foram registrados 12,5 mil óbitos. Mas, por outro lado, o número de novos casos ainda é grande. Ainda em 2018, o Ministério da Saúde contabilizou 37 mil novos casos de aids e quase 44 mil novos casos de infecção por HIV.

Em entrevista à FOLHA, a chefe da Divisão de Infecções Sexualmente Transmissíveis da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), Mara Franzoloso, afirmou que a notificação de HIV passou a ser obrigatória no Brasil a partir de 2014 e a quantidade de casos quase dobrou.

Segundo ela, o Paraná foi pioneiro na descentralização dos testes rápidos de diagnóstico do vírus. Mais de 35 mil pessoas no Estado fazem uso dos medicamentos antirretrovirais ofertados pelo SUS, o que contribui para a redução no número de diagnósticos por aids e de óbitos pela doença. Curitiba e Umuarama foram os primeiros municípios do Brasil a receber a Certificação de Eliminação da Transmissão Vertical do HIV (quando a transmissão acontece de mãe para filho durante o período de gestação, no parto ou pelo aleitamento materno).

Voltando à questão dos jovens, a “despreocupação” deles com a prevenção da aids é motivo de alerta para os especialistas da área de saúde. A nova geração não presenciou a descoberta dos primeiros casos, quando o diagnóstico do HIV era praticamente uma sentença de morte, e não viu seus ídolos morrendo em decorrência da doença.

É justamente aí que entra a importância das campanhas de conscientização. É preciso falar com essa faixa etária com uma linguagem que os sensibilize. Esclarecer que a aids tem tratamento, mas que há uma série de complicações que poderiam ser evitadas utilizando os métodos de prevenção, como o uso de preservativos durante o ato sexual. Lembrar que a aids não tem cara e atinge homens e mulheres independente da classe social, idade, opção sexual ou raça. É, mais importante, entender que é uma epidemia e que não pode ser banalizada.

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