A informação ainda é a melhor maneira de se evitar a disseminação da aids entre a população. Balanço feito pela reportagem da FOLHA aponta para dois grupos etários de maior risco de contaminação pelo vírus HIV: jovens com idade entre 15 e 25 anos e adultos com mais de 50 anos. Se entre os adultos a contaminação aparece estabilizada nos últimos anos, entre 2007 e 2013 os casos confirmados cresceram 60% entre pessoas com idade entre 15 e 19 anos e 62,5% em idosos de 70 a 79 anos, segundo estatística da Secretaria de Estado da Saúde. Isso ocorre porque a geração com mais de 30 anos presenciou o surgimento da doença e de seus efeitos em um período ainda com tratamentos pouco efetivos. Muitos ainda guardam na memória imagens de cantores e atores de sucesso sendo atacados pela doença e definhando até a morte. Se hoje os coquetéis antirretrovirais garantem qualidade de vida aos soropositivos, também trouxe "um relaxamento" aos jovens atuais. Segundo profissionais, esse grupo não considera a aids uma doença importante e estariam mais preocupados com a violência urbana e as drogas, o que facilitaria o comportamento de risco. Já entre os idosos, a popularização de remédios contra impotência, a liberação do comportamento sexual e a falta de hábito de usar preservativos provocam o crescimento da contaminação. E, por isso, campanhas de conscientização que levem informação a esses dois grupos se mostram extremamente necessárias. Importante acrescentar que novos casos de infecção por HIV caíram 38% nos últimos 12 anos no mundo, segundo dados das Organizações das Nações Unidas. No entanto, essa mesma pesquisa aponta para um crescimento de 11% entre os brasileiros nos últimos oito anos. É claro que esses índices não podem ser comparados porque houve uma queda significativa de contaminações na África Subariana, que estava atrasada em relação ao controle da epidemia, enquanto o Brasil já apresentava redução do número de casos na década de 90. No entanto, tampouco os índices de contaminação podem ser desprezados. Há a indicação urgente de campanhas de informação mais efetivas e assertivas. Incentivar o uso de preservativos apenas durante o Carnaval não terá muito efeito prático.

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