Aids e a piada do inseticida revolucionário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de junho de 2003
Walter Barbosa Bittar 
Aids e a piada do
inseticida revolucionário
Walter Barbosa Bittar
Manchete publicada na Folha no dia 18 de junho: ''Camisinhas serão entregues em escolas''. Na reportagem, novamente, vem à tona a discussão da distribuição de preservativos para os jovens sob o argumento da proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis, em especial a Aids. Enquanto lia a reportagem fui me lembrando da conhecida piada do cientista que convocou a imprensa para uma coletiva, alardeando que criou um inseticida revolucionário. Após as explicações do cientista, um dos jornalistas presentes exclama indignado:
Mas dr. Fulano o principal elemento de sua invenção é um afrodisíaco!
Satisfeito o cientista brada como se tivesse feito uma grande descoberta:
Pois é justamente este o grande ponto! Agora ao invés de matarmos um único inseto por vez, nós eliminaremos dois com um único golpe! Não é maravilhoso?
A comparação da campanha com a piada foi inevitável. Querer combater o avanço das doenças sexualmente transmissíveis e da Aids, distribuindo camisinha para nossos jovens, é o mesmo que consagrar o uso do inseticida/afrodisíaco.
Conforme o Inmetro, instituto responsável pelo controle de qualidade segundo normas internacionais de segurança, o índice de eficiência da camisinha é cerca de 95%. Além desse índice, deve ser sopesado o cuidado no manuseio, no transporte e no uso do produto, alerta Antônio Cortazo, diretor técnico do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), responsável pelos testes de resistência em São Paulo. O que certamente elevará, em muito, a ineficiência da camisinha.
Ora, com base neste fato é preciso raciocinar que, estimular o uso da camisinha entre os jovens, sob o contexto precípuo de proteção é o mesmo que utilizar afrodisíacos para eliminar insetos, pois se está estimulando a prática do ato sexual. Pior: ato sexual sem consequência (filhos, doenças, etc). Finalmente, é óbvio que, com os níveis da libido elevados certamente muitos não se lembrarão (talvez sequer conseguirão) de utilizar a ''proteção'', consequentemente o índice de eficiência apurado pelo Inmetro sofrerá uma significativa diminuição.
Como a própria reportagem publicada pela Folha relata, a vida sexual de nossos jovens está começando cada vez mais cedo, quando estes ainda estão imaturos, tampouco preparados para assumir as consequências do ato sexual: a geração de uma vida humana, que precisa ser amada, cuidada, que tem direito a ter uma família. Isto sem esquecer o crescente número de jovens grávidas (mães solteiras) precocemente, que têm suas vidas abruptamente modificadas por um ato estimulado pelas campanhas pró camisinha, o que por si só já é uma tragédia social sem precedentes.
WALTER BARBOSA BITTAR é advogado e professor de Direito Penal da PUC/Londrina


