Ah, esse Itamar
Ah, esse Itamar
Cláudio Slaviero
Com certeza, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, já tem garantido o seu nome na história do Brasil. Não só por sua longa carreira pública, que culminou com o cargo de presidente da República, como também pelas suas atitudes que, senão cômicas, são no mínimo inusitadas.
Analisando seus atos e declarações, podemos dizer que Itamar é uma pessoa controvertida. Está sempre chamando atenção para si pelas ações que toma. Pode ser que tudo não passe de uma excelente jogada de marketing, para estar sempre em evidência, ou pode ser a personificação do lunático Dom Quixote em sua eterna luta contra monstros imaginários.
Itamar vive reclamando e resmungando contra o governo federal. Até parece aquela criancinha mimada de quem tiraram seu docinho. Fica emburrado, bate o pé e diz que não vai a Brasília encontrar-se com o presidente da República. Acha que o presidente é quem deve ir ao seu encontro e FHC foi a Minas ontem.
O governador trocou de mal com o presidente, pois se julga o pai do Plano Real. De fato, foi durante seu mandato como presidente da República que o País tomou um novo rumo na economia com o Plano Real. Só que, na época, seu ministro da Fazenda e responsável pelo plano era o atual presidente Fernando Henrique Cardoso. Vêm daí seu ciúmes e sua birra com o presidente. Não é coisa de piá pançudo?
Foi durante seu governo também que num surto de nostalgia pediu que ressuscitassem o já aposentado Fusquinha. Enquanto no resto do mundo rodavam carros de última geração, Itamar quis voltar à década de 50. Da mesma maneira que ajudou a estabilizar a economia quase pôs tudo a perder.
Já no cargo de governador de Minas, intempestivamente, declarou moratória, abalando a credibilidade do Brasil no exterior e jogando por terra todo o esforço de estabilização da nossa economia. Atualmente, está atrás dos organismos internacionais em busca de recursos. Quanta ironia!
Itamar ameaçou explodir Furnas, caso o governo federal incluísse a empresa no programa de desestatização. Para isso, mobilizou o Exército e o deixou em prontidão fazendo manobras militares. Pode uma coisa dessas?
Sob orientação talvez do Sancho Pança, o governador declarou publicamente estar preocupadíssimo com uma possível invasão de Minas Gerais por tropas federais, a mando do presidente FHC, para desestabilizar seu governo. Depois de declarar tamanha impropriedade, disse ter ficado aborrecido por não ter sido ouvido pelo governo federal para a elaboração do Plano Nacional de Segurança. Quem se aconselharia com ele sobre tal assunto?
Atualmente, o governador mineiro está sem partido político, pois brigou com todos que lhe deram legenda. Por isso, enfrenta problemas para articular uma provável candidatura sua à Presidência da República em 2002. Será que ainda votariam nele com um currículo desse?
Como se não bastassem as trapalhadas políticas e administrativas, Itamar Franco gosta de trocar de personagem, abandonando Dom Quixote para incorporar o Dom Juan. É um paquerador de primeira. Já foi flagrado ao lado de um modelo sem calcinha em pleno Carnaval. Seus casos amorosos são frequentes, mas nada que o desabone. O que é constrangedor, é presentear sua atual namorada com um veículo Mercedes-Benz, que deveria ser de uso oficial do governo de Minas.
Com certeza, Itamar Franco deve ter boas intenções. Mas suas atitudes o transformaram em um personagem folclórico. O País não necessita disso! São desgastes desnecessários. Precisamos é de união e esforços conjuntos para superarmos nossas dificuldades, que são inúmeras. Quem perde com isso é a Nação, os brasileiros e o povo de Minas Gerais.
Ainda bem que sou paranaense!
- CLÁUDIO SLAVIERO é empresário em Curitiba e vice-presidente da Associação Comercial do Paraná





