Aguarde a conta de 2015
O consumidor terá que arcar com a maior parte dos R$ 12 bilhões que o governo federal gastará para cobrir o rombo do setor elétrico neste ano de 2014. Enquanto o Tesouro Nacional fará um novo aporte de R$ 4 bilhões para a Conta de Desenvolvimeno Energético (CDE), os R$ 8 bilhões restantes recairão sobre as tarifas dos consumidores, que serão disponibilizados na forma de empréstimos para as distribuidoras de energia. Como estamos em um ano eleitoral e nenhum provável candidato quer "chatear" os eleitores com um novo reajuste, a cobrança na conta de luz do brasileiro aparecerá só em 2015, de forma escalonada. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que fez o anúncio do programa de socorro ao setor elétrico, não deu mais detalhes da cobrança. Os R$ 12 bilhões serão depositados na CDE, que é um fundo do setor.
O governo federal justifica que o socorro é necessário para colocar em dia as contas extras que surgiram pela forte seca do início do ano, deixando muito baixo os níveis dos reservatórios das hidrelétricas. O problema é que quando existe o risco do setor hidrelétrico não dar conta da demanda de consumo, as termoelétricas são acionadas. E elas geram uma energia bem mais cara (e poluente). Na semana passada, o governo já havia liberado R$ 1,2 bilhão para cobrir o gasto extra com as usinas térmicas realizado em janeiro. Mas não foi suficiente. A forma como o empréstimo recairá na conta de energia do consumidor será definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Provavelmente, depois do pleito de outubro.
Não foi somente a seca a causadora do problema, mas o forte calor gerou um grande aumento no consumo e ajudou a complicar a situação. A tendência é culpar São Pedro pela falta de chuva, mas não dá para jogar no humor do santo a responsabilidade da crise que a presidente Dilma Rousseff (PT) tem agora que administrar. Há anos, especialistas do setor ressaltam a necessidade do Brasil diversificar a sua matriz energética, totalmente dependente das hidrelétricas e das termoelétricas. O País deveria estar empenhado em buscar projetos de exploração de outras fontes de energia. Obviamente, que não se trata de uma solução a curto prazo e o Brasil já está muito atrasado nesse processo.





