Água limpa é luxo para milhões de pessoas
A maioria dos brasileiros, principalmente a população urbana, nem imagina o que é a vida sem água potável e banheiros adequados. Por isso, muitas pessoas se surpreenderam com o resultado de uma pesquisa divulgada esta semana pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrando que em todo o mundo, 748 milhões de pessoas não têm acesso à água potável e outros 1,8 bilhão usam uma fonte contaminada com fezes. O estudo Glass 2014 revela ainda que 2,5 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento adequado e que 1 bilhão defecam ao ar livre, nove em cada dez, em áreas rurais.
A pesquisa Glass é realizada de dois em dois anos e apesar dos técnicos da OMS constatarem que houve avanços, a situação é muito grave, levando em conta, por exemplo, que do total da população sem acesso à água potável, 600 mil são crianças. Segundo a Organização, se o acesso à água potável fosse melhorado e se fossem implementados serviços de saneamento adequado, as mortes por diarreia poderiam ser reduzidas em cerca de 70%.
O relatório não se limita a trazer um diagnóstico, mas apresenta argumentos que deveriam convencer líderes mundias a aplicar mais recursos nessa área. Conforme a OMS, cada dólar investido em serviços de água e saneamento pode-se obter um retorno de US$ 4,3, com a redução dos custos de saúde, o aumento da produtividade no trabalho e a criação de novos empregos em indústrias relacionadas com a gestão de resíduos. Investir em saneamento básico significa reduzir a mortalidade infantil e o combate às doenças infecciosas. A OMS aborda ainda outra questão importante, relacionado ao direito das mulheres. Em várias partes do mundo, é trabalho das meninas buscar água para abastecer as casas. E isso implica em abandono da escola.
Para quem pensa que esse problema não afeta nós, brasileiros que vivemos em áreas urbanas, basta lembrar que o vírus Ebola, que já matou cinco mil pessoas na África, encontrou na falta de saneamento um facilitador para se alastrar rapidamente naquele continente. Dessa maneira, é necessário o comprometimento dos países mais pobres na melhoria da situação e a promessa das nações ricas em disponibilizar ajuda financeira para que os próximos índices da OMS apresentem mudanças e, consequentemente, melhora na qualidade de vida dessas pessoas.





