Chega. Estamos, ou pelo menos eu estou saturado pela insistente massificação de modismos gerenciais salvadores, de terminologias para o sucesso, de discursos globalizantes, e tantos outros casuísmos demagógicos e oportunistas. Qualidade Total, Qualidade de Vida. O que vale, por trás disto tudo, é apenas consumo, criando dependência às idéias de conforto e facilidades proporcionadas pelas novidades. E que não são para todos, mas não importa. Não se trata de certo ou errado. Não importa se todos se beneficiarão. O que importa é que alguns são ou serão ‘‘clientes’’ e consumirão e outros acumularão mais e mais riqueza e poder. Bem, mas este não é o ‘‘foco’’ deste artigo, e sim a água.
Coincidentemente, nos últimos dias, a água foi vilã, nas cidades atingidas pelo fenômeno das enchentes, merecendo destaque em todas as mídias e também ‘‘pediram por ela’’, seja no programa ‘‘Fantástico’’, no jornal ‘‘Folha de São Paulo’’, e já há alguns anos no verso das contas das faturas das Cias. de Saneamento ou de Água e Esgoto. Mas neste caso, o enfoque foi outro: ‘‘desperdício de água’’. As imagens são as mesmas, os argumentos os mesmos, tudo é igual. Torneiras vazando, banhos demorados, lavação de veículos e calçadas e outras igualdades. E o maior vilão é o vazamento, provocado pelas válvulas de descarga.
Ora, será a engenharia, os modistas, os pregadores da onda globalizante salvadora, os citadores dos ‘‘países do primeiro mundo’’, os ecologistas, os ambientalistas e tantos outros, ainda não se aperceberam que apenas continuamos a massacrar ignorância tecnológica, econômica, dependência às modas e ao conhecimento (dos outros)? Só somos referência pelos desperdícios. De energia elétrica, de alimentos (o lixo mais rico do mundo?), de tempo (excesso de feriados). E continuamos insistindo cada vez mais, no desperdício da água. Pois, institucionalizamos jogar nossos poucos reais pelos vasos sanitários. Como não? As descargas de nosso vasos sanitários não são abastecidas pela mesma água que bebemos? Nossas máquinas de lavar não utilizam a mesma água que usamos para lavar alimentos? Se não for desperdício utilizar água tratada (captada, fluoretada, clorada, armazenada e distribuída) para dar destino aos dejetos... O que será desperdício?
Portanto, arautos dos modismos, antes que falte, promovam de fato o desenvolvimento de tecnologia ou alternativas para se estancar de vez com este grandioso desperdício que onera a todos, ricos e pobres. Sejamos pela primeira e talvez única vez verdadeiramente criadores e possuidores de qualidade de vida. Não esperem, para depois questionar, em nome de ideologias retrógradas, que a água se torne fonte de poder/riqueza, quando alguém resolver explorá-la na sua escassez.
Arautos dos programas de qualidade, das ISO, deixem de ser apenas repetidores, sejam autores. Ajudem a fechar esta torneira. Ainda podemos discutir a utilização da água. Talvez daqui a algum tempo tenhamos que questionar a sua finalidade e destinação. Por que não utilizar nos vasos sanitários a água que já foi utilizada em nosso banhos, nas nossas pias ou tanques e máquinas de lavar? Não haveria uma redução do consumo? Não haveria uma economia de recursos financeiros e da própria matéria prima? Não haveria uma economia no bolso do consumidor? Não haveria verdadeiramente qualidade de vida em todo o sistema vivo? É difícil conceber, projetar ou aperfeiçoar e exigir um sistema de reservatórios por tipos de água nas edificações? Qualquer caixa de descarga ou válvula de descarga libera a cada acionamento aproximadamente 20 litros d’água tratada. Qual é o ser humano que consome por dia este volume?
Arautos concordem! O desperdício de água e reais é grande. Água como fonte de desperdício é avenida para dependência futura.
- CHARLES FRIEDRICH JUNIOR é administrador pós-graduado em Gestão de Recursos Humanos, docente da cadeira Adm. de Sistema de Informação, no curso de Administração da Fadeps.

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