22 de março, dia mundial da Água é uma boa oportunidade para fazer uma reflexão sobre a necessidade de racionalizar o uso deste insumo indispensável para a manutenção da vida na terra. Embora 75% da superfície do planeta seja coberta por água, apenas 0,36% deste total está disponível para o consumo da humanidade. Nos últimos 25 anos, a quantidade de água no mundo caiu de 12.900 metros cúbicos para 7.600 metros cúbicos per capita. Atualmente, em pelo menos 26 países, o nível fica abaixo dos 40 litros/dia por habitante, o mínimo recomendado pela ONU.
A situação não é menos crítica no Brasil. Nos últimos vinte anos o consumo per capita dobrou e a expectativa é de que dobre outra vez nos próximos vinte anos. Mas a disponibilidade de água per capita atualmente é três vezes menor do que em 1950. O consumo per capita diário é estimado em 200 litros. Mesmo com 14% das reservas de água do mundo, o Brasil tem 80% de seus mananciais na Amazônia, região que concentra apenas 5% da população. Restam 20% para abastecer 95% dos brasileiros.
Segundo uma avaliação da Unesco, os problemas relacionados à falta ou à contaminação das águas vão afetar toda a humanidade nos próximos 50 anos. O problema será mais grave nas grandes metrópoles, devido à concentração populacional. O vice-presidente do Bird para o desenvolvimento sustentado, Ismail Serageldin, prevê que as guerras do Século XXI será por água, assim como as do Século XX foram por petróleo. Durante o Habitat 2, a Conferência das Nações Unidas em Istambul (Turquia), realizado em junho de 1996 para debater sobre as cidades, especialistas estimaram também que metade da água potável dos países em desenvolvimento é ilegalmente desviada ou desperdiçada. Nos países desenvolvidos esse índice é de 12%.
Buscando soluções para a escassez iminente, o presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei das Águas em janeiro de 1997, que visa conservar os mananciais potáveis. Em abril do ano passado, foi lançado pelo presidente o Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água, voltado para reduzir as perdas na produção e distribuição. Mas é preciso ficar atento ao desperdício na ponta, onde está o consumidor. Existem duas formas de promover o consumo racional de água: educação e tecnologia.
Na Europa e Estados Unidos, a utilização de equipamentos hidráulicos com tecnologia para economizar água em prédios públicos e em locais de grande fluxo de pessoas já é tradição por uma questão cultural. No México a legislação determina o uso destes produtos para evitar o uso excessivo de água e na Argentina o governo está promovendo a substituição dos equipamentos convencionais por produtos economizadores nas escolas para reduzir a conta de água.
A eficácia desses produtos que têm fechamento automático, foi comprovada em estudos do Centro de Tecnologia do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul e no Centro de Ciências Tecnológicas da Universidade do Estado de Santa Catarina, onde se verificou uma economia de 30 a 77% em relação aos produtos convencionais. Em testes de campo, a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) analisou os equipamentos em edifícios públicos e escolas, comprovando, inclusive, que geram vantagens financeiras. No Palácio Bandeirantes, por exemplo, a substituição de 43% dos produtos convencionais por similares, de fechamento automático gerou uma redução no consumo médio anual de 25% e uma economia de R$ 138 mil na conta de água.
A educação é outro instrumento para preservar a água potável. A legislação prevê que as escolas devam incluir o tema nos currículos. Essa é uma etapa básica pois gera na futura comunidade a preocupação de preservar e proteger a água. Mas é preciso ir além, levando essa cultura para toda a população , especialmente para os adultos. A conscientização é importante para acabar com os maus hábitos de consumo como deixar a torneira aberta enquanto se faz a barba ou se escova os dentes. Vale lembrar que o volume de água perdido com uma torneira pingando durante 24 horas é equivalente à quantidade necessária para manter um indivíduo vivo durante o mesmo período.

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