Opinião Atualizado em 29/09/2017, 20:27
Agrotóxicos ilegais - A internet revelando o que somos
Estima-se que os agrotóxicos ilegais representam em torno de 20% do mercado legal do setor no Brasil, que está próximo a R$ 30 bilhões por ano. O contrabando e a falsificação de agrotóxicos implicam em riscos à saúde humana, ameaçam a segurança alimentar e o consumidor, impõem riscos ao meio ambiente, e ainda prejudicam o mercado de trabalho. Diminuem a arrecadação e lesam o Fisco (aproximadamente R$ 3 bilhões por ano), provocam perda substancial de investimento, inclusive o estrangeiro, dificultam as exportações do agronegócio, incentivam a corrupção e o desrespeito à lei, e fomentam o crime organizado, o tráfico de drogas e de armas.
Agrotóxicos ilegais são levados precariamente em embarcações, aviões, caminhões e outros meios de transporte, e há casos em que são abandonados na beira de rios, lagos e estradas. Existe registro de transporte de agrotóxicos ilegais juntamente com cargas de farelo de soja, fubá de milho e farinha de trigo, e até mesmo em uma ambulância.
Nos últimos dois anos e meio, houve mais de 161 casos de falsificação de agrotóxicos registrados e foram identificados falsificadores em 15 Estados brasileiros, com estrutura de distribuição cobrindo todas as regiões do país. Mais de 30 laboratórios clandestinos foram fechados.
As apreensões no Brasil de agrotóxicos ilegais, contrabandeados e falsificados, somaram 654 toneladas, entre 2001 e 2016. Mais de 550 toneladas foram incineradas, a um custo estimado de R$ 8,5 milhões. Suspeitos foram detidos, totalizando 1.193 pessoas, sendo que 53 pessoas foram condenadas.
Estima-se que com essas apreensões mais de 5,8 milhões de hectares de lavouras deixaram de ser tratados com agrotóxicos ilegais, principalmente de soja e trigo. Se essas apreensões não tivessem sido feitas, o meio ambiente e muitas pessoas ainda estariam em risco.
CLAUDIO SPADOTTO é membro do Conselho Científico Agrossustentável e gerente-geral da Embrapa Gestão Territorial
A internet não gerou sensatos ou imbecis e nem sábios e ignorantes, porque eles já existiam, apenas não tinham como manifestar-se publicamente de forma fácil e livre como agora. As agressões verbais ou escritas, ou as apenas demonstradas pela indiferença, são presença constante onde existam humanos. Sempre foi assim. Mesmo as mais sutis têm contundência e incomodam os contrários, pelo amargo sabor das ironias.
A manifestação de uma opinião ou conceito pode converter-se em salutar debate e intercâmbio de ideias, mas também despertar reações, às vezes virulentas. Numa sociedade em clima de indignação, não apenas contra os governantes, mas tantas outras situações de abuso, só opinar - a favor ou contra - ganha característica de confronto na relação com os que pensam diferente.
O ser humano traz no subconsciente sua porção de candura, mas também componentes de agressividade, e disso se nutre. As redes sociais apenas tornaram visível o que somos. Muitos de nós continuam brutos tal qual os ancestrais do mesmo naipe, outros apenas refinaram a forma de expor suas ideologias, seus complexos e maldades. E, nesse meio, pontificam também as santas pessoas, como luzeiros buscando iluminar para si e para os outros os caminhos tortuosos.
A internet transformou todos em comunicadores virtuais, sequiosos de dizer e opinar, porque é da índole das pessoas. Cada qual conforme seu modo de articular as palavras, mesmo que, no mais dos casos, impregnadas de erros de linguagem e artifícios de abreviaturas e sinais gráficos, que passaram a ser comuns.
A verdade é que com esta nova forma universal de comunicação eletrônica nos tornamos transparentes e passamos e nos conhecer melhor, mesmo que a distância. Se é que desejamos saber da vida dos outros, não há mais necessidade de ter em mãos um fichário acerca de cada indivíduo, nem recorrer aos fofoqueiros de plantão para saber o que pensam, dizem e fazem os outros. As redes sociais desnudam pensamentos e sentimentos e nossa realidade ficou exposta. Assim, ingressamos num universo global e passamos a conhecer as pulsações dos nossos coirmãos humanos.
WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina
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