Agronegócio e desenvolvimento
Dados do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio reforçam a importância do segmento para a economia brasileira. Enquanto o PIB amarga crescimento inexpressivo, balanço divulgado ontem pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta para um aumento de 2,99% no primeiro quadrimestre do ano com relação ao mesmo período do ano passado. Foi apurado crescimento expressivo na agricultura (0,69% no mês e 4,57% no ano) e na pecuária (0,93% no mês e 5,61% no ano).
O ponto positivo é que a renda agrícola deve crescer cerca de 14% neste ano. O desempenho é puxado pelo aumento de preços no mercado externo e interno e pela expectativa de produção maior. O resultado poderia ter sido melhor, mas novamente problemas estruturais brasileiros interferiram. Técnicos do Cepea explicam uma queda na cotação a partir de abril devido ao nível recorde da safra nacional, problemas logísticos de transporte e dificuldades de estocagem do grão, além das estimativas sobre estoques finais nos Estados Unidos acima das esperadas pelo mercado.
A agricultura é um negócio de alto risco. Interferências climáticas, mercado volátil e relação com a safra internacional são fatores que os produtores rurais são obrigados a lidar. No entanto, há condições que poderiam ser melhoradas, como é o caso da infraestrutura logística. Melhorar as estradas para escoamento da safra e oferecer alternativas ao transporte rodoviário parecem questões óbvias e necessárias, mas de difícil execução. Outros pontos que merecem atenção são as condições dos silos que armazenam os grãos, considerados antigos, e a capacidade dos portos. Embora tenham sido lançados programas de melhorias da infraestrutura portuária, pouco se fez até agora. Embora seja tema recorrente, esse é um dos maiores gargalos brasileiros e que necessita de investimentos urgentemente. O momento exige uma cobrança maior nesse sentido. O Brasil precisa encontrar o caminho do desenvolvimento.





