Agronegócio e balança comercial
Em períodos de crise econômica mundial e de queda na produção industrial, o agronegócio é que tem sustentado a balança comercial brasileira. Análise da Confederação Nacional da Agricultura, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, aponta que nos primeiros sete meses do ano, entre os dez principais produtos da pauta das exportações, sete eram do agronegócio. No Paraná, de cada dez produtos exportados, nove são do agronegócio. A soja em grão é o produto mais negociado.
Importante lembrar que a balança comercial tem registrado desempenho ruim neste ano. As vendas de produtos manufaturados seguem em queda expressiva (no mês passado o resultado ficou em -12,3%). Além disso, no acumulado do ano, o saldo é negativo, o que significa que foram feitas mais importações do que exportações.
Se o agronegócio tem sustentado a balança comercial, é importante salientar a fragilidade da economia brasileira. Com vários gargalos a serem superados, como infraestrutura logística deficitária, mão de obra pouco produtiva e sem qualificação, alto custo dos insumos, carga tributária excessiva, entre vários outros problemas, a indústria nacional tem perdido competitividade ao longo dos anos. O deficit da indústria começou a ser registrado em 2007 e aumenta a cada ano. Em 2013, por exemplo, foi o "pior rombo" da história, quando o saldo de manufaturados superou os R$ 105 bilhões.
O agronegócio tem se mostrado fundamental para "sustentar" a economia brasileira e, por isso, é importante que sejam fortalecidas políticas de incentivo ao setor. No entanto, cabe também registrar que produtos semimanufaturados têm menor valor agregado e, por isso, é vital a implantação de políticas que incentivem o comércio de produtos da agroindústria. Se essa é a vocação comercial do Brasil, é preciso fortalecê-la.





