A crise econômica e política tem respingado em praticamente todos os setores da economia. Se já influenciou no nível de emprego e no consumo, o agronegócio – um dos poucos pilares que tem sustentado a economia – também sente os efeitos nefastos da atual situação do País. Balanço das contratações do crédito rural para custeio, comercialização e investimento para a safra que ainda será colhida aponta que o ritmo de contratos está lento.
Segundo o Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro do Banco Central o principal gargalo está em investimentos em maquinários e implementos. Para essa finalidade, produtores paranaenses contrataram até agora cerca de R$ 785 milhões, retração de 50% se comparado com o mesmo período do ano passado. Esses números indicam que o momento é de cautela. Assim como os demais empresários e até mesmo pessoas físicas que têm algum dinheiro guardado têm esperado uma definição do cenário, produtores rurais parecem ter optado por esse caminho.
Outro fator importante é a alta dos juros. O novo plano oferece taxa de 8,75% - índice 35% mais alto do que o ofertado no ano passado. A escassez de crédito e o ajuste proposto pelo governo acabaram por encarecer o custo dos financiamentos, o que também tem influência direta na tomada de empréstimos.
A apreciação do dólar tem favorecido o agronegócio nacional. No entanto, na outra ponta, a moeda americana também contribuiu para elevação dos custos de produção. O assunto é de extrema relevância e, inclusive, foi debatido durante a 5ª edição do EncontrosFolha, evento promovido pelo Grupo Folha de Comunicação realizado mês passado, que teve o agronegócio como tema. Os produtores devem estar atentos para a questão.
No entanto, é importante que a agropecuária receba incentivos adequados do governo. Além de ser uma atividade de extrema importância – porque garante alimentos à população – tem sustentado a balança comercial e a própria economia.

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