O agronegócio, que sofreu queda de quase 5% em 2009, é a aposta para 2010. Interessados em manter sua boa performance na economia, os governos, não é de hoje, são useiros e vezeiros em fazer projeções mirabolantes. No momento o luxo é projetar uma grande safra no próximo verão (que ainda será semeada).

Que a sorte bafeje sempre a primeira ponta da cadeia alimentícia do agronegócio, a agricultura, e que a agroindústria prospere. São mais empregos, mais impostos, mais divisa, mais alimentos a preços baixos. Nem o preconceito que setores do atual governo cultivam com relação ao agronegócio vai resistir tanta fartura. Basta que o clima seja o principal aliado porque o câmbio anda cedendo. É é administrável.

Aliás, pelo menos na festança, o setor vai muito bem. Quinta-feira, no lançamento da Exposição de Londrina, muita gente animada. O PIB e o peso da competência instalada na produção estavam lá. Unido assim o setor parece querer vestir-se de uma capa protetora contra maus agouros e as incursões que pode sofrer dos chamados movimentos sociais. O recado, ingênuo, seria este: ninguém resiste a alegria de produzir.

Se os produtores tivessem a mesma disposição e união para defender seus interesses, como têm facilidade para confraternizar, com certeza, a defesa do agronegócio contra grupos radicais estaria garantida. No entanto, o Programa Nacional de Direitos Humanos, visto como ameaça por alguns, parece não preocupar a maioria. Politicamente um erro elementar.

Se em política os produtores são um zero - à direita, a competência para produzir com qualidade é reconhecida pela sociedade. A propósito, a retração na colheita ano passado foi debitada a outros fatores como a crise econômica.
Os técnicos do IBGE explicam, em documento, que recuo do setor agroindustrial no ano passado ''deve-se à crise econômica mundial e à seca na Região Sul, acarretando redução da safra de 2009 (-8,3%) e dos investimentos em máquinas e equipamentos agrícolas (-28,7%), em adubos e fertilizantes (-2,1%) e em defensivos agropecuários (-15,7%)''.

Os setores vinculados à agricultura, que têm maior peso na agroindústria, recuaram 5,2% em 2009, com uma queda mais intensa do que a de setores associados à pecuária (-1,1%).

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