Se o Governo quer gerar empregos, deve saber que isto não ocorrerá por milagre mas pela dinamização da economia, e tal não se dará nos intramuros de Brasília e sim no âmbito das atividades produtivas. Quando deixa de voltar-se para a produção do campo, contribui para o enfraquecimento desse setor e agrava a situação de desemprego no próprio meio rural e nas cidades. Pensar em governabilidade sem o fortalecimento das bases produtoras é suicídio. Governantes sábios não ignoram que a parte que lhes cabe é traçar políticas públicas corretas, ou no mínimo não impedidoras, e assim facilitar que a Nação entenda-se o povo e sua infra-estrutura de produção exerça o verdadeiro governo por via do fluxo produtor e do equilíbrio com as necessidades do consumo interno e o atendimento às requisições dos compradores de fora. Se o Governo, no presente momento, não atende os produtores rurais, reivindicantes de mais recursos para financiar o giro da atividade, não está desejando fazer governo, ou então falta-lhe competência para esse desempenho. Tais movimentos, como o que ora ocorre no Paraná, nem deveriam chegar ao ponto de manifestar-se se o Governo estivesse atento às incumbências que lhe compete, porque dispõe de todos os mecanismos para isso, só faltando capacidade para gerenciar a grande empresa representada pela administração pública e assim eleger prioridades. Ágide Meneguette, presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná promotora e organizadora da bem-sucedida concentração reivindicatória dos agricultores de anteontem no Sociedade Rural do Paraná demonstra que a redução da presente safra de soja e milho, no Estado, gira em torno de R$ 2,5 bilhões e chega a R$ 3 bilhões se somados outros prejuizos daí decorrentes. Como um valor como este costuma girar quatro vezes ao ano, ele calcula que o rombo é de R$ 12 bilhões. Isto evidencia a importância do dinheiro quando circula nas bases, porque tem o dom de multiplicar-se, pela natural dinâmica da economia, o que não ocorre se concentrado em mãos do Governo. Na manifestação dos produtores, como este Jornal mostrou nas fotos publicadas, faixas ostentavam dizeres de alerta como ''Sr. Presidente, a agricultura é uma questão de segurança nacional''! Portanto, não é apenas um interesse individual que os produtores defendem, mas está presente também uma preocupação com a segurança representada pela produção agropecuária, fornecedora de alimentos, promotora de desenvolvimento, geradora de empregos e de impostos e arrecadadora de dólares por via das exportações. Se é importante o presidente da República viajar pelo mundo e mostrar um pouco da face do Brasil, ainda tão desconhecido, é mais importante um olhar sobre a própria nação brasileira, que dá sustentação a todas as virtudes que o Governo apregoa. Se as bases não estiverem fortalecidas e estas são de fato as que contam pouco adiantará a propaganda externa do Presidente.

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