AGRICULTURA EM ALTA Câmbio jogou dinheiro no campo
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domingo, 24 de novembro de 2002
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os agricultores do Paraná tiveram um ano excepcional com crescimento na rentabilidade de quase todos os produtos, com exceção dos produtores de suínos e aves que foram prejudicados pela elevação dos custos do milho. A variação do câmbio foi a alavanca que sustentou os preços em alta principalmente para a soja, milho, algodão, trigo e cana de açúcar.
A frustração ficou por conta da mandioca. O Paraná é o maior produtor, responsável por 18% da produção brasileira, mas a margem de ganho tem sido negativa para o produtor, desde o ano passado. Os preços da fécula, farinha e raiz de mandioca estiveram muito baixos. Os produtores vinham recebendo em torno de R$ 6,83 a saca de raiz com 25 quilos.
Com a variação cambial, elevando significativamente os preços do trigo importado e consequentemente da farinha, as indústrias de panificação e de massas em geral passaram a comprar grandes volumes de fécula de mandioca durante os meses de setembro e outubro. Essa adição à farinha de trigo absorveu boa parte dos estoques e fez com que os preços se elevassem para uma média de R$ 15,00 a R$ 16,00 a saca. Essa reação, porém, só aconteceu nos últimos 40 dias.
De acordo com o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, muitos produtores conseguiram ganhar dinheiro este ano. Ele explica que principalmente os produtores de grãos foram extremamente bem sucedidos nas previsões que fizeram. A comercialização de grãos, durante o período de safra, foi lenta porque os agricultores ficaram desinteressados com os preços do câmbio que estavam muito baixos para remunerar a produção. Preferiram segurar a produção, desfazendo-se apenas do necessário para cumprir compromissos mais imediatos.
Quando começou a especulação eleitoral, que fez disparar o preço do dólar no mercado, houve uma outra reação paralela que foi o aumento nos preços da soja e trigo no mercado externo. A combinação desses fatores mostrou ao produtor que ela acertou em cheio a previsão que fez este ano, que só foi possível porque estava capitalizado, disse Meneguette.
Meneguette disse que o agricultor está utilizando o dinheiro que ganhou para financiar a próxima safra. Ele salienta que a demanda por crédito caiu, o que evidencia que os agricultores estão mais capitalizados. Para o agricultor, se a situação no campo continuar boa, ''podemos esperar lavouras mais modernas'', com a manutenção da elevação da produtividade, que já cresceu 20% nos últimos 12 anos.
Por conta do bom desempenho da safra agrícola, foram abertas 13.361 vagas no campo, no período janeiro a setembro de 2002, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estudos Econômicos e Estatísticos (Dieese). Essa geração de empregos, entretanto, corresponde ao efeito sazonal que normalmente ocorre entre os meses de março a julho, quando os produtores contratam mão de obra para o período da colheita.
Sem o efeito sazonal, a geração de empregos no meio rural teve uma queda de 5.892 vagas, no acumulado dos últimos 12 meses. O Dieese vem constando redução do pessoal ocupado no campo ao longo dos anos, como um dos efeitos imediatos da modernização no campo, que vem promovendo recordes sucessivos de produção.
De acordo com levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral), a produção de grãos foi menor este ano em relação ao ano passado, mas o rendimento foi bem maior. A safra desse ano teve uma redução de 2,63 milhões de toneladas de grãos, mas nem por isso o produtor deixou de ganhar dinheiro no campo. A queda na produção foi provocada por efeitos climáticos como estiagem, seguida de geadas. As culturas que mais tiveram redução na produção foram o milho safrinha e o trigo.


