Estudo feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e comentado pelos jornais nacionais demonstra que o crédito rural caiu pela metade de 1986 até 2004, ou seja, de R$ 81 bilhões para R$ 40 bilhões. Mesmo assim, o PIB nessa área cresceu em média 3,6%, enquanto o PIB total foi de apenas 2,1%. O crescimento da agricultura não cessou, apesar da baixa assistência governamental, e foram grandes também os ganhos de produtividade, por graça dos avanços da tecnologia. Foi uma ocasião em que o crédito mais abundante do passado propiciou também os oportunismos, pelo desvio para aplicações especulativas, favorecidas pelos ganhos da inflação. O estudo mostra que em 1986 o Tesouro forneceu 64,9% do crédito rural, e dez anos depois a participação caiu para 19,7%, descendo para quase nada em 1997 e culminando com 3,8% em 2004 - último ano computado. O custo dos financiamentos afetado pela Taxa Referencial de Juros levou muitos produtores à inadimplência. Demonstra o BNDES que as dívidas foram renegociadas várias vezes, beneficiando os produtores sérios mas também especuladores, que aplicaram calotes. Esse organismo financiador afirma que o desmonte do velho sistema foi positivo, porque os produtores passaram a depender mais do mercado. Contudo, não se organizou um novo regime de financiamento e de sustentação de preços, e isto tornou-se dramático nos últimos anos, especialmente para os produtores que tiveram perdas pelas secas. Revela esse relatório que perdeu-se a noção de prioridade e o ajuste fiscal foi executado sem discriminação. Foi negado à agricultura o apoio necessário, embora a sua importância estratégica. Também a defesa sanitária perdeu intensidade, e um dos exemplos foi o recente caso da aftosa, cujos prejuízos ainda são sentidos, não só pelos pecuaristas mas também pela balança de exportações de carnes. Opiniões apontam que a agricultura continuará dependente de uma presença mais ativa do Governo para operar com segurança. E esta é uma segurança que não existe e não há garantia de que venha a existir se houver continuidade do atual sistema, entenda-se os atuais comandantes das políticas públicas em Brasília. Conforme o estudo, uma nova categoria de empresários permitiu o crescimento da agricultura mesmo na fase de pouco crédito. O jornal ''O Estado de S.Paulo'' diz que faltou ao estudo do BNDES acrescentar que esses empresários têm sido tratados como inimigos por boa parte do Governo.

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