Se não bastassem as invasões de terras, os produtores rurais passaram a conviver com outra intranqüilidade, que é a intensificação dos roubos e assaltos praticados por ladrões comuns, que lhes roubam máquinas, veículos, gado e outros animais, agrotóxicos, produtos agrícolas e utilidades domésticas. Em certos casos eles envenenam os cachorros, para que não façam barulho. Em Mamborê, município próximo de Campo Mourão, os agricultores resolveram organizar-se e adquiriram uma viatura para o patrulhamento rural, tarefa que será exercida pela polícia. A compra do veículo foi feita através do Sindicato Rural, com recursos dos seus 215 filiados, porque a PM não dispunha de meios para esse serviço especial. Agora os produtores sentem-se mais seguros, mas não ficaram nisso, porque passaram a investir também em alarmes em seus galpões e em cadeados nas porteiras e nas moradias. Mesmo assim, os riscos continuam na região próxima, onde são freqüentes os roubos de gado, praticados por pequenas quadrilhas, que abatem os animais e vendem a carne a açougues coniventes, naturalmente de forma clandestina. O roubo de animais não é difícil para os ladrões, porque estradas rurais passam à margem das propriedades, e o gado – de comportamento dócil – está à vista, bastando cortar o arame das cercas.
  A insegurança do homem da lavoura não é apenas com o seu patrimônio mas também com sua integridade física, porque quem rouba, geralmente age armado e disposto a reagir, se surpreendido. Alguns colonos se armam, geralmente com espingardas, mas isto também lhes oferece perigo, pela reação que podem provocar no assaltante, este mais treinado e mais atento no momento do roubo. São riscos adicionais que cercam a laboriosa classe da gente do campo, já sofrida pela própria natureza do seu trabalho. Portanto, deveria ser merecedora de mais segurança, pelos benefícios que proporciona, pois sem ela não haveria alimento na mesa da população e nem sustentação da economia nacional.
  O poder público tem obrigação de debruçar-se sobre esse novo problema do homem da lavoura e dar-lhe proteção. No caso de Mamborê, os policiais estão cooperando, mas o veículo teve que ser aquirido pelos próprios agricultores, porque o Estado não contempla o setor da segurança rural com verba suficiente. O que é um descaso, considerando os tantos abusos com o dinheiro público em outros setores. Não tem cabimento que um segmento tão importante fique desprotegido, obrigando-se a desembolsar dinheiro próprio para equipamentos de segurança, o que é incumbência do poder público. Ademais, isso favorece a indução do agricultor a armar-se e defender-se, o que não é recomendável, quando se realizam no Brasil campanhas de desarmamento dos civís, como forma de segurança para eles próprios. No caso específico da insegurança no campo, é preciso não permitir que o mal se agrave para só depois o Estado tomar providências.

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