Deveria haver um círculo seguro e permanente de proteção aos agricultores endividados com os bancos e que, agora, podem perder terras e máquinas, por inadimplência e por estarem sendo executados pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal – melhor dizendo pela Receita Federal, que absorveu essas contas e acena com execução sumária. Não são um nem dois nessa penosa situação, mas 41 mil, só no Paraná. Todos com a cabeça na guilhotina, portanto candidatos (aqueles com menos suporte) a se converterem em bóias-frias ou sem-terras. Esses inadimplentes foram enquadrados na mesma categoria dos sonegadores de impostos e, ao invés de devedores dos bancos, caem na malha da Receita, que é voraz e não titubeará em colocar nas estradas aqueles que, não possuindo outras terras, terão de juntar-se aos colonos que habitam debaixo das lonas. Tais dívidas já haviam sido refinanciadas, com um plano de pagamento inicial de 10% e o restante em 20 anos, mas os devedores não conseguiram pagar regularmente, face aos prejuízos com a seca e outros impasses. Dívidas devem ser honradas, mas sendo os credores não empresas privadas (e estas também devem ser flexíveis) mas bancos públicos, será preciso encontrar caminhos para não piorar a situação deste país, já tão tangido pela ação nefasta do poder público, com seus impostos escorchantes e todos os arrochos que impõe a quem pede um empréstimo para produzir. Executar esses devedores é gerar desestabilização no campo, porque se há entre eles os mais abastados, deve haver uma grande maioria de médios e pequenos. Como não se trata de delinqüentes e nem de fraudadores intencionais, mas gente do campo que comete o ‘‘delito’’ de produzir alimentos – o Governo precisa ser um solucionador de problemas e não um gerador deles. Se já houve uma renegociação, que se faça outra e tantas mais, porque não faz água nas contas da Receita, mas faz – e afoga – o homem que lida com a lavoura, sujeita a todo tipo de acidentes, um deles a condição do tempo. Para os bancos, para a Receita Federal, para o Governo, não há tempo ruim, e fazer execuções sumárias é fácil, mesmo que leve muita gente à ruína. Será preciso os bancos oficiais negociarem, e negociarem continuamente, e não só com os produtores rurais mas com todos os que, na linha de produção, envolvem-se em dificuldades e em inadimplência. Porque, nessas camadas, não existem trapaceiros, e se há casos isolados, são minoria. A punição aos políticos corruptos é tão difícil, e CPIs resultam em nada, mas todos os mecanismos legais funcionam magnificamente quando se trata de punir produtores, justamente aqueles que são indispensáveis e necessários à pátria.

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