Talvez por forte herança genética, haja vista que minha mãe inexplicavelmente detesta o mês de agosto, e ainda, que sua mãe de igual forma também nos ensinou de que era nesse mês que as desgraças aconteciam para a família, para a Nação, enfim, de que ninguém escapava incólume a sua chegada e passagem, decidi agregar e passar adiante essa superstição familiar, não sem antes, porém, analisar friamente alguns fatos acontecidos durante a data em questão.
O mês de agosto surgiu como homenagem ao imperador romano Augustus, no ano 46 a.C. ou 708 de Roma e até hoje é conhecido pelos historiadores como o ano da confusão, esse calendário substituiu o anterior, conhecido como Numa Pumpílio.
As duas únicas bombas atômicas lançadas contra a humanidade o foram durante o mês de agosto de 1945, em Hiroshima e Nagasaki, sendo responsáveis por 150 mil feridos e cerca de 80 mil mortos. Estima-se que durante os cinco anos em que o mundo esteve exposto a guerra, explodiram-se 3 megatons em bombas e que somente sobre Hiroshima de uma única vez foram despejados 36 megatons, o que acabou por destruir inteiramente a cidade.
Foi igualmente em agosto que se iniciou o conflito do Golfo Pérsico, com a invasão do Kuwait pelo Iraque, fazendo crer ao mundo que ali seria o início do fim dos tempos. Ainda no tocante às batalhas, adivinhem em que mês teve início a 1ª Grande Guerra Mundial? Em 24 de agosto de 1954, suicidou-se com um tiro no peito, no Palácio do Catete, o presidente Getúlio Vargas, saindo dessa vida e entrando para a história, não sem antes causar forte comoção nacional.
Assim como eu, a essa altura dos acontecimentos, deve estar o leitor concordando que tanto minha mãe quanto avó tinham lá suas razões para temer a chegada do oitavo mês do calendário. Afinal, muitos dos fatos acima e uns tantos outros haviam sido presenciados e vividos por ambas.
Muito bem, analisemos agora os fatos ocorridos agosto do último ano, mas não sem antes darmos três pulinhos com o pé direito, gritando ‘‘pé de pato, mangalô três vezes’’, somente a título de precaução quanto a eventuais acontecimentos que poderão surgir pelos próximos dias quando se iniciará o último oitavo mês do século.
Foi no último ano, em agosto, que o País parou diante de uma até então desconhecida greve de caminhoneiros que gerou em poucos dias incalculáveis prejuízos a todos, senão por via direta, indiretamente pelo desabastecimento e pressão sobre preços. De uma hora para outra famílias se viram separadas por barricadas impostas pelo movimento, tal como aconteceu àqueles infelizes que moravam em Berlim por ocasião da Guerra Fria.
Ainda em agosto passado, divulgou-se o pior PIB brasileiro dos últimos anos, o que foi péssimo para um país com altos níveis de desemprego, pois significa dizer que foram agregados novos profissionais ao mercado de trabalho, num momento em que a quantidade de novos postos declinou. O último desempenho negativo da economia brasileira havia sido registrado em 1992, ano em que acabei obrigado a me desfazer de uma empresa, justamente no mês de agosto. No início do mês, a moeda nacional sofreu novas pressões, obrigando o Banco Central a intervir por diversas vezes, gastando suas preciosas reservas para conter a sede dos que profetizam o apocalipse em busca de lucro fácil nos mercados alternativos de câmbio.
Foi em agosto que a Turquia se tornou vítima da ira da natureza, sendo atingida por fortíssimo terremoto, cujas consequências, infelizmente ainda vão se propagar pelos próximos anos, com necessidade de reconstrução de várias áreas que se tornaram momentaneamente inabitáveis.
Até o mago Nostradamus, que quase sempre acerta, escolheu o mês de agosto de 1999 para dar fim à humanidade, implodindo o Planeta em breves instantes, consumindo a tudo e a todos em fantástica bola de fogo que só não aconteceu por interferência direta de alguma forte emissora de televisão, que impedida de transmitir o evento, solicitou seu adiamento para data ainda não divulgada, já que a sexta-feira, 13 de agosto não comportaria um fato de tamanha magnitude...
Como podemos ver, não é à toa que agosto é considerado por muitos como o mês do desgosto e sugerimos ao final, além de excelente setembro, uma proposta que marque o início de uma humanidade melhor, sem guerras, fome, e com pessoas mais solidárias e mobilizadas com reais intenções de preparar nossa cidade, nosso País e o mundo para melhores agostos no próximo século.
- RICARDO PROCHET é administrador de Empresas, professor universitário, consultor e conselheiro de Empresas
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