Agora uma síndrome de perseguição
Durante o período em que o presidente Lula se debruçava sobre os problemas brasileiros, e os admitia, demonstrando decidida vontade de solucioná-los, revelava-se o governante responsável, preocupado e atento, e contava por isso com a solidariedade do povo, marchando ao lado do líder. Seu discurso da vitória, na Avenida Paulista, deixou entusiasmada a nação inteira. Aqueles foram momentos de grande entusiasmo nacional. Mas quando o Presidente já não menciona os problemas e diz em discurso público que tem gente fazendo figa e torcendo para as coisas não darem certo, então as esperanças se desvanecem tendo à frente da nação um homem frágil, parecendo vítima, quando não há um só cidadão que não deseje o triunfo do governo ora instalado e a melhoria da situação de vida para todos. Ao admitir que tem gente fazendo urucubaca, reedita comportamentos do Presidente antecessor, que, mais refinado quanto ao uso das frases de efeito, qualificava seus críticos de nefelibatas opiniáticos. Se Lula começa a imaginar-se perseguido por fantasmas, como essas supostas forças ocultas que, recorda-se, levaram outro Presidente ao desvario da renúncia então significa que não saberá mais ouvir críticas e sugestões das oposições, pois tal será inútil, eis que tudo será obra de gente que não quer o bem do Brasil e apenas fazer figa contra seu governo... As expressões populares utilizadas por Lula e suas eventuais incorreções gramaticais não incomodam, pois é assim mesmo que o povo fala. O que preocupa é ele acreditar no conteúdo do que diz, como esta agora de que há gente querendo detoná-lo com urucubacas e coisas-feitas do gênero embora ele diga que elas não vão pegar em cima de nós, referindo-se ao corpo governamental. Se as urucubacas não pegam, a confiada gente brasileira pode deixar-se contagiar pelo desânimo ouvindo essas patacoadas. Porque se o Presidente não avalia como úteis as críticas que lhe façam e lança tudo à conta de gente torcendo contra, então terá perdido o senso do equilíbrio e se revelará ante o povo um governo despreparado e doentio.





