O espetáculo das eleições teve um andamento excepcional em função da ida ao segundo turno da disputa presidencial, aliás, de um modo geral, colocando mal as previsões de institutos de pesquisas. Essa nova eleição – e é assim que se deve encará-la – tem importância para a democracia na medida em que abre caminho para um melhor detalhamento de questões que foram mal enfocadas no primeiro turno, isso sem considerar que de fato houve muito pouco de análise de conteúdo e doutrina.
  Espera-se que o segundo turno, até pelo sentido final da competição, permita melhor balanço dos problemas nacionais e supra, de uma forma abrangente, as deficiências da primeira etapa, incluindo aí o debate, agora com menos dispersão, e com possibilidade de bem identificar as peculiaridades dos postulantes e a respectiva visão do mundo sobre valores sociais e econômicos, liberdade e igualdade, enfim concepção de vida.
  Candidatos usam de subterfúgios e mimetismos e normalmente se dão ao péssimo exercício do cortejamento aos apetites da massa e o politicamente correto. Boa a experiência também para o presidente Lula que pela quarta vez vive essa prova, das quais perdeu uma para Collor, duas para FHC e ganhou duas dos tucanos Serra e Alckmin. Empenhado em levar a fatura no primeiro turno se perdeu nas referências autoritárias à mídia como se ela criasse os fatos e não apenas os divulgasse em relação às tropelias com a quebra do sigilo fiscal e as patologias da Casa Civil.
  Lula queria uma imprensa escrita tão generosa quanto a mídia eletrônica. Mas, diferentes das TVs e seus telejornais, as revistas e os jornais impressos não afagam, não manipulam a informação. Divulgam as duas versões e emitem suas opiniões que, às vezes, incomodam.
  O fato é que demos passos importantes na evolução democrática, esperando-se ainda que não permaneça por muito tempo sem solução a questão dos fichas-sujas que pode gerar um terceiro turno no tapetão capaz de alterar os quocientes eleitorais e provocar uma reviravolta na relação dos eleitos.

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