Dilma Rousseff, a poderosa ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República e opção preferida de Lula para concorrer à sua sucessão, agora também entra no rol dos denunciados e é a bola da vez na história dos apontados por atos irregulares ou tráfico de influência. Quem acusa é a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, Denise Abreu, e a acusação é a ingerência da ministra na compra - pelo fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros - da VarigLog, empresa de cargas aéreas que, por decisão judicial, havia sido separada da matriz (a semifalida Varig) e que depois de regulamentada compraria esta última, em leilão, por US$ 24 milhões.
Como o Código Brasileiro de Aeronáutica não permite que estrangeiros tenham mais de 20% do capital de companhias aéreas, Denise, para saber da cota estrangeira precisava conhecer a dos sócios patrícios, então exigiu a documentação pertinente. Foi aí que, segundo a sua denúncia - feita por meio de longa entrevista ao jornal ''O Estado de S.Paulo'', entrou Dilma, recomendando-lhe que afastasse tal exigência, assim favorecendo a consecução do negócio, mesmo que com indício de ferir a lei dos 20%. Porque, no dizer da ministra (como afirma Denise), isto era da alçada do Banco Central e da Receita. Nesse ''affaire'' figura outro personagem importante: o advogado Roberto Teixeira, com livre trânsito nos altos escalões do círculo oficial, por ser amigo pessoal e compadre do presidente Lula. Foi ele que intermediou tudo para a facilitação da compra da VarigLog e do que sucederia na continuidade. A VarigLog acabou vendendo a Varig à Gol, meses depois, por US$ 320 milhões. E sem a sucessão de dívidas, porque essa garantia fora dada pelo influente advogado. Denise declara que Dilma e sua secretária-executiva Erenice Guerra a pressionaram para que não oferecesse obstáculos aos negócios. Os documentos que a ex-diretora da Agência pedia nunca foram apresentados e assim mesmo as transações se concluíram.
A razão do interesse da ministra-chefe no caso não está clara, e este é o ponto que poderá levantar um novo e rumoroso escândalo no âmbito do Governo Lula. O lucro entre a compra e a imediata venda da Varig foi de ''apenas'' US$ 296 milhões! Já se fala em criação de comissão de inquérito. Sabe-se que tecnicamente uma agência reguladora não está vinculada ao governo, por ter autonomia funcional. A Varig, existente desde 1927 e atolada em dívidas de R$ 7 bilhões, havia sido favorecida pela decisão judicial de ser dividida em duas - a Varig e a VarigLog.
A denúncia de pressão da ministra de Dilma Rousseff ''é mais um escândalo que tem todos os ingredientes para se converter em investigação grandiosa, que pode explodir dentro do Palácio do Planalto'', declara o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.

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