Agora ressarcir danos e recuperar mercado
Agora que foi confirmada a ausência de aftosa no gado paranaense, o Ministério da Agricultura e Pecuária precisa oficializar imediatamente esse fato, porque as propriedades que estavam sob suspeita, no Paraná, continuam interditadas. Vinte dias de tensão já foram suficientes, e não pode haver mais retardamentos. Essa urgência é reclamada principalmente pelos promotores do Leilão 10 Marcas, que aconteceu em Londrina no começo do mês passado, durante a Eurozebu feira anual da Sociedade Rural do Paraná. Pela razão de que lotes desse leilão vieram de uma área próxima da fazenda em Mato Grosso do Sul onde foi detectado um foco da doença, quase na mesma época. Exemplares desse leilão foram adquiridos por pecuaristas de várias regiões do Paraná, e, por isso, quando o caso de MS irrompeu, o pânico se implantou. Porque o ministro Roberto Rodrigues conferiu gravidade à entrada, no Paraná, daqueles lotes, chegando a mensurar em ''90% a possibilidade de contaminação''. Essa declaração gerou um clima de inquietação e desconforto, por envolver tradicionais pecuaristas paranaenses com fazendas no vizinho Estado áe, por tradição, zelosos no cuidado com a sanidade de seus rebanhos. Rodrigues encontrava-se ontem na Bolívia, e o ato de suspensão da portaria que reteve o gado suspeito precisa ser assinado por ele. O envolvimento do Paraná no episódio incluiu as carnes paranaenses entre as rejeitadas pelos países importadores, gerando prejuízos financeiros e também de confiabilidade, e isto precisa ser resgatado urgentemente. O passo que deve ser dado agora é a rapidez em recuperar o giro desse negócio. Cada dia de atraso será um dia a mais de prejuízo. Será necessário um competente trabalho de esclarecimento junto aos compradores externos sobre as diferentes zonas do Brasil, um país-continente de 8 milhões e meio de quilômetros quadrados e com 200 milhões de cabeças de gado. Um pequeno foco (caso de algumas fazendas de Mato Grosso do Sul) não é o Brasil inteiro, mas os consumidores estrangeiros não sabem disso. Contudo, o problema não reside apenas na questão da exportação. Passada a turbulência paranaense, há medidas internas que precisam ser tomadas, em socorro aos pequenos produtores de leite, cujo produto foi rejeitado nas zonas que ficaram sob vigilância, e eles não dispõem de suporte para aguentar abalos econômicos dessa ordem. Cada pecuarista, pequeno e grande, deve buscar alternativas de indenização. A mobilização nesse sentido precisa ser rápida, porque, se houver relutância governamental, medidas mais severas precisam ser adotadas. A assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado do Paraná sugere que sejam movidas ações individuais de ressarcimento.





