Quando mal passa uma tempestade os políticos fazem irromper outra, porque agora querem criar mais seis estados. Eles já urdiram os projetos para esse fim. O primeiro objetivo é a realização de plebiscito, medida que já conta com a aprovação da Comissão de Constituição e Justiça. Preparando o terreno para a ampliação de cargos - para eles e seus descendentes e assim ir perpetuando a espécie - os ditos representantes do povo onerarão sobremaneira a nação se esse absurdo vier a se concretizar. Porque é o cidadão que terá de custear a manutenção de mais esses mastodontes.
Mais estados significarão, no caso, mais 144 cadeiras de deputados estaduais, mais 48 de deputados federais e mais 18 senadores. Isso é apenas uma parte, porque haverá mais custo de seis governadores, cinco dezenas de secretários de Estado, juízes, promotores, servidores, assessores e os apaniguados políticos. E mais perspectivas de corrupção. Na parte física, serão os palácios governamentais, as casas legislativas, equipamentos, veículos, mordomias, pompa e circunstância e aumento da farra pública com dinheiro do povo. Se os brasileiros já trabalham quase cinco meses do ano só para pagar a conta da gastança pública, deverá trabalhar um mês a mais para cobrir esse adicional caso seja cometido o descalabro de criar mais essas unidades da Federação.
Em comparação, os Estados Unidos têm 50 Estados, com quase 300 milhões de habitantes, e o Brasil 24 estados, com a população de quase 200 milhões. Mas nos EUA são 435 representantes na Câmara e 100 senadores, e aqui há 78 deputados a mais que aquele país e 81 senadores. Nos EUA, se o número de estados vier a aumentar a quantidade de parlamentares não se alterará porque haverá redistribuição de vagas. Neste Brasil de festança à custa do povo, com mais seis estados o contingente de deputados federais subiria para 657 e o de senadores para 99, apenas um senador a menos que nos Estados Unidos. Só o custo para implantação dessas unidades será de R$ 11 bilhões, dinheiro suficiente para melhorar as condições de moradia, saúde, educação e segurança do povo carente.
Ao invés de projetos de grandes reformas estruturais de que o Brasil necessita, os políticos cuidam de robustecer redutos onde aninhar-se. O povo precisa dizer não em caso de plebiscito, mas se espera que a proposta - que certamente entrará em votação logo - nem chegue a ser aprovada, se ainda resta um pouco de reponsabilidade no Congresso Nacional. A nação deve mobilizar-se para detonar essa idéia já no nascedouro.

mockup