A lotomania está desencadeada (e uma modalidade de aposta com este nome até já existe), porque agora o ministro Gilberto Gil também quer uma loto para o Ministério da Cultura e o presidente Lula decidiu que irá atendê-lo. É de pasmar, mas o Governo já se debruça sobre o projeto, que sangrará com mais uma punhalada a já exaurida economia popular. Como houve corte de verbas para aquele Ministério, Lula encontrou a fórmula: pegar mais dinheiro com o povo. A loto novíssima planejada para contemplar o companheiro Gil prevê a arrecadação anual de R$ 300 milhões – um pouco mais modesta que a Timemania, que – se aprovada – juntará R$ 500 milhões. A finalidade é desenvolver programas culturais, e como nem o Ministério da Cultura e nem o Governo chegaram a pensar em algum modo de diminuir gastanças em outro setor, nada como recorrer às generosas mães da pátria, que são os cidadãos, tão cúmplices que acabam aceitando tudo e pagando a conta. Haveria a fórmula sábia de não apostar nas duas lotos em gestação, mas acontece que as pessoas correm para conhecer as novas curiosidades no colossal cassino da República. O Governo sabe disso e lança a isca, certo de que atrairá gente interessada em ficar rica. Por ironia, dias atrás – quando lançava o salário mínimo com um acréscimo de R$ 40 – o presidente Lula declarou que gostaria de ver todos os brasileiros ricos. Pode ser que esteja vislumbrando isso via grande prêmio das lotos! Sabe-se a meta é uma só: criar imposto com embalagem de loto, que assim o povo se distrai fazendo as apostas e nem nota que está pagando um novo tributo. Os minguados reais que poderiam ser destinados a mais um pouco de leite para a família, ficam nos guichês das lotéricas e dali vão para a guaiaca do Tesouro. Os programas culturais, razão-fim da loto da cultura, não se sabe se serão contemplados na plenitude imaginada, mas a rubrica já existe. Notícia de última hora: a ultra-fresca loto de Gil já é notícia velha, porque o Ministério da Educação viu o agrado de Lula a seu velho amigo Gil e acaba de dar entrada ao pedido para ganhar uma também. São três novas lotos prontas para entrar no forno – entenda-se o Congresso Nacional, que irá examinar todos esses desvarios e decidir. A nação está embasbacada. Um informe, para quem gosta de fazer contas: com suas múltiplas modalidades de jogo o cassino governamental arrecada R$ 4,2 bilhões por ano. Com as lotos do futebol e da cultura perfazendo exatos R$ 800 milhões (a da educação ainda não fixou valores), fecha-se a conta redonda de R$ 5 bilhões/ano de rendimento bruto do cassino. Dinheiro retirado do meio circulante que fará grande falta, porque, se mantido nas bases e multiplicado pela dinâmica da cadeia produtiva, provocaria uma revolução desenvolvimentista.

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