Agora fiscalizar ruído em bares e restaurantes
Livre (por decisão dos vereadores) da ameaça de limitação de seu horário de funcionamento, os bares e restaurantes em Londrina precisam agora fazer a parte que (também) lhes cabe, que é diminuir o ruído alto da música interna e tudo o mais que for possível para poupar do martírio a vizinhança. Fechar cedo tais estabelecimentos seria mesmo improvável, até porque esta não é uma tradição brasileira, diferente de grandes cidades de outros países, que têm um disciplinamento rigoroso a respeito e na maioria delas esses estabelecimentos encerram atividades às 11 horas da noite.
A Promotoria de Justiça pertinente deve agora tomar medidas para que os abusos sejam contidos, porque este é um direito dos cidadãos. Não se concebe música alta nem nos horários permitidos (a não ser em shows em praça pública), portanto muito menos madrugada adentro. Mas é o que acontece, e não apenas naquele gênero de casas mas também nos clubes sociais, que além das festas próprias alugam as sedes, e o ruído forte vai até 5 da manhã no mais dos casos.
Agora que o projeto de lei limitando horário foi derrotado, a própria Câmara de Vereadores não pode permitir que a licenciosidade se instale, porque existem milhares de bares em Londrina (a maioria com funcionamento irregular), e se eles movimentam dinheiro, mantêm empregos e favorecem o lazer, são também redutos de beberrões e desordeiros, pontos de violência e até assassinatos, e incomodam muito. Não é porque a permissão de horário dilatado foi mantida que se pode abandonar um problema que antecedia o projeto da Câmara, que é o do barulho no interior e ao redor de tais estabelecimentos, até altas horas. Também a Associação de Bares e Restaurantes de Londrina e o Londrina Convention and Visitors Bureau - que vinham fazendo pressão sobre os vereadores, até afinal se sagraram vitoriosos - precisam agora lembrar-se que há uma reivindicação das vizinhanças de dar-lhes sossego noturno depois de certa hora, ademais porque é de lei. A música exageradamente alta é um primeiro ponto, porque os instrumentistas baixam o som se houver ordem dos donos das casas que os contratam. Se tal não bastar, será hora de os organismos legais entrarem em ação.
Proteger as casas noturnas é necessário, porque são empresas, mas se terá de proteger também aqueles que não as frequentam e precisam dormir e levantar cedo para o trabalho. Não se trata apenas da questão grave de beber e dirigir veículo, mas também do direito da maioria à paz nas horas avançadas da noite. A associação que congrega esses estabelecimentos e as autoridades devem endurecer para impedir que a situação de desassossego continue, ou se tenha, aí sim, de implantar para valer um regime de rígido horário.
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